Palácio do Planalto, sede da Presidência da República, em Brasília. Foto: Senado Federal (CC BY 2.0), via Wikimedia Commons
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) fizeram no domingo (18), na TV Bandeirantes, o primeiro debate do segundo turno da eleição presidencial, marcada para o próximo domingo (25). O encontro teve trocas de acusações, interrupções e intervenção dos mediadores, Adriana Araújo e Eduardo Oinegue. Flávio insistiu nas suspeitas envolvendo o filho do presidente, Fábio Luís, o Lulinha, e nas fraudes do INSS; Lula cobrou o adversário pelos R$ 134 milhões ligados ao banqueiro Daniel Vorcaro.
Lulinha, INSS e Bolsa Família
No primeiro bloco, Flávio perguntou a Lula sobre Lulinha, investigado pela Polícia Federal por suposto tráfico de influência, e sobre a lobista Roberta Luchsinger. Lula respondeu que cabe à PF investigar o caso e que não vai interferir nas apurações. O senador também atribuiu ao governo petista a responsabilidade pelas fraudes nos descontos de aposentadorias do INSS. Lula sustentou que o esquema começou no governo de Jair Bolsonaro e foi desarticulado na atual gestão, com ressarcimento aos aposentados.
Mais tarde, Flávio disse que gostaria de focar em propostas e criticou o governo afirmando que o petista só se lembrou do reajuste do Bolsa Família em período eleitoral. Ele também acusou o presidente, sem apresentar provas, de manter recursos fora de suas contas bancárias.
Vorcaro e o desafio dos sigilos
Lula cobrou Flávio pelos recursos recebidos de Vorcaro, fundador do Banco Master, e disse que o adversário havia mentido 43 vezes sobre o assunto. “Vocês fizeram dele um banqueiro, e eu fiz dele um prisioneiro”, declarou. Flávio afirmou que o dinheiro foi aplicado no filme Dark Horse. Lula também perguntou ao senador sobre o voto contra a ampliação da licença-maternidade quando era deputado estadual no Rio e sobre proximidade com acusados do assassinato da vereadora Marielle Franco; Flávio não respondeu a essas perguntas.
No terceiro bloco, Lula desafiou o adversário a abrir os sigilos bancário e telefônico de ambos e de seus familiares. “Amanhã abrimos a nossa conta bancária, abrimos o nosso sigilo telefônico para que o povo brasileiro saiba quem é ladrão desse país”, disse. Flávio respondeu que não tem nada a esconder, mas não confirmou se aceitaria a proposta nos termos apresentados.
6×1, saúde e segurança
O fim da escala 6×1, aprovado pelo Congresso, provocou o momento de maior mudança de discurso. Flávio, que era contra a proposta, disse ter votado a favor depois de ouvir trabalhadores: “Eu sou uma pessoa que, se for convencida, posso melhorar a minha opinião”. Lula reagiu dizendo que o adversário “conhece trabalhador por literatura” e “nunca trabalhou”. O senador negou que pretenda alterar o texto aprovado.
Sobre o SUS, Flávio disse que indicaria para o Ministério da Saúde o médico Cláudio Lottenberg, presidente do Hospital Albert Einstein, e falou em um “padrão Einstein no SUS”. Lula questionou se o adversário pretende privatizar o sistema e lembrou as mortes na pandemia. Na segurança, Flávio prometeu classificar facções como narcoterroristas e construir 500 mil vagas em presídios, e criticou as saídas temporárias de presos. Lula defendeu manter o benefício para quem tem bom comportamento, excluídos condenados por estupro e violência contra a mulher, e prometeu criar o Ministério da Segurança Pública.
Ao fim do programa, o Grupo de Ações Táticas Especiais da PM de São Paulo foi chamado para checar a suspeita de uma bomba num carro no estacionamento da Band que seria da equipe de Flávio. Nada foi encontrado, e o local foi liberado.
Fonte: Agência Brasil. Com informações de: Mais Goiás



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