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Nobel da Paz vai para Navi Pillay, juíza sul-africana que ajudou a enquadrar o estupro como crime de genocídio

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Navi Pillay, de cabelos curtos escuros, óculos e blazer coral, sorri para a câmera

Navi Pillay em 2014, quando era alta-comissária da ONU para os Direitos Humanos. Foto: Missão dos EUA em Genebra (domínio público), via Wikimedia Commons

Aos 85 anos, a jurista foi premiada pelos “esforços para promover a paz e o direito internacional”. Comitê norueguês diz que as instituições da Justiça internacional estão “sob ataque”.

O Prêmio Nobel da Paz de 2026 foi concedido nesta sexta-feira (9) à jurista sul-africana Navanethem “Navi” Pillay, de 85 anos, ex-presidente do Tribunal Penal Internacional para Ruanda e ex-alta-comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos. Segundo o Comitê Norueguês do Nobel, ela foi escolhida por seus esforços para promover a paz e o direito internacional e por ter sido decisiva para que crimes de guerra, crimes contra a humanidade e genocídio fossem levados a julgamento.

Do apartheid aos tribunais internacionais

Nascida em Durban, em uma família de origem tâmil indiana, Pillay cresceu sob o regime de segregação racial e se tornou advogada em um país que lhe impunha barreiras por lei. O comitê lembra que ela defendeu Nelson Mandela e outros opositores do apartheid. Depois, foi juíza da Alta Corte da África do Sul, do Tribunal para Ruanda e do Tribunal Penal Internacional.

  • Ruanda: sua atuação foi determinante quando o tribunal reconheceu que estupro e violência sexual podem constituir crime contra a humanidade e genocídio; no mesmo caso, pela primeira vez um réu respondeu por incitação ao genocídio;
  • ONU: chefiou o Alto Comissariado para os Direitos Humanos de 2008 a 2014;
  • Oriente Médio: presidiu, até recentemente, a comissão independente de inquérito da ONU sobre os territórios palestinos ocupados, que acusou Israel de genocídio em Gaza;
  • Hoje: é juíza na Corte Internacional de Justiça no caso em que Mianmar é acusado de genocídio.

O recado do comitê

No comunicado, o comitê afirma que o sistema de direito internacional está sob enorme pressão e que há uma guinada para a política de poder em prejuízo das regras. “A paz exige justiça”, diz o texto, que menciona juízes sancionados e instituições atacadas. O comitê reconhece que a ordem internacional “nunca foi perfeita” e que as grandes potências muitas vezes escaparam de responsabilidade.

Em 2025, o prêmio foi para a líder da oposição venezuelana María Corina Machado. O Nobel da Paz foi entregue pela primeira vez há 125 anos; neste ano houve 287 indicados, um quarto deles organizações, segundo a Agência Brasil.

Fonte: Comitê Norueguês do Nobel, com informações da Agência Brasil.

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