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Nos cinco primeiros meses do acordo com a União Europeia, Jataí vende 75% mais farelo de soja ao bloco, e Goiás amplia em 55% a venda de carne bovina para a Europa

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Duas mãos em concha seguram uma porção de farelo de soja, de cor bege clara e textura granulada

Farelo de soja, principal produto vendido por Jataí à União Europeia. Foto: United Soybean Board (CC BY 2.0), via Wikimedia Commons

Levantamento do Diário de Jataí no Comex Stat compara maio a setembro de 2026, primeiros cinco meses do acordo Mercosul-UE, com o mesmo período de 2025. As vendas de Jataí à Europa passaram de US$ 24,6 milhões para US$ 36,8 milhões, puxadas pela Polônia.

O governo federal informou nesta semana que as exportações brasileiras para a União Europeia cresceram 30,7% entre maio e setembro, primeiros meses de vigência provisória do acordo entre o Mercosul e o bloco europeu. O Diário de Jataí foi verificar o que aconteceu em Goiás e em Jataí, com dados oficiais do Comex Stat, sistema do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.

Jataí: farelo de soja na frente

De maio a setembro de 2026, as empresas de Jataí exportaram US$ 36,8 milhões para países da União Europeia, contra US$ 24,6 milhões no mesmo período de 2025, alta de 50%. A fatia do bloco nas vendas externas do município subiu de 5,1% para 7,3%.

Quase tudo é farelo de soja: foram US$ 33,8 milhões e cerca de 96 mil toneladas, contra US$ 19,4 milhões e 57 mil toneladas um ano antes, um aumento de 75% em valor. O município também mandou US$ 3 milhões em soja em grão ao bloco, produto que não aparecia em 2025. Já o milho, que rendeu US$ 5,2 milhões em vendas à Europa no ano passado, sumiu da lista em 2026.

A Polônia foi a principal compradora, com US$ 24,2 milhões, seguida por Espanha (US$ 7 milhões), Bélgica (US$ 2,9 milhões) e Países Baixos (US$ 2,7 milhões).

Goiás: carne bovina cresce

No estado, as exportações para a União Europeia passaram de US$ 653 milhões para US$ 1,06 bilhão no mesmo intervalo, alta de 63%. A maior parte desse salto, porém, veio do minério de cobre, que foi de US$ 163 milhões para US$ 442 milhões e não tem relação com o agro.

  • Farelo de soja: US$ 292,2 milhões (771 mil toneladas), contra US$ 255,7 milhões em 2025, alta de 14%;
  • Carne bovina congelada: US$ 68,6 milhões, contra US$ 45,6 milhões, alta de 50%;
  • Carne bovina fresca ou refrigerada: US$ 29,7 milhões, contra US$ 17,8 milhões, alta de 67%;
  • Soja em grão: US$ 39,6 milhões, contra US$ 7,9 milhões;
  • Milho: caiu de US$ 20,4 milhões para menos de US$ 9 milhões.

Espanha, Alemanha, Países Baixos, Itália e Polônia foram os principais destinos. No total, a Europa passou a responder por 18,6% de tudo o que Goiás vendeu ao exterior entre maio e setembro, ante 12,2% em 2025.

O que os números dizem e o que não dizem

O acordo reduz tarifas de importação no bloco europeu de forma gradual, e os ministros Márcio Elias Rosa e Mauro Vieira atribuíram a alta nacional ao tratado. Os dados do Comex Stat, porém, não separam o efeito do acordo de outros fatores, como preço internacional, câmbio e o tamanho das safras.

Para o produtor do Sudoeste goiano, o farelo é o item que mais pesa: ele é feito a partir da soja em grão esmagada pela indústria, e mais procura europeia pelo produto ajuda a sustentar a demanda pela soja da nova safra, que está sendo plantada agora.

Fonte: Comex Stat/MDIC, consulta por município e por estado, exportações de maio a setembro de 2025 e 2026 (cálculos do Diário de Jataí); e Agência Brasil.

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