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Nova espécie de perereca de pele transparente é descoberta em Goiás; animal de 2,5 cm foi achado em riachos de Luziânia e depende das matas de galeria do Cerrado

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Perereca verde de pele translúcida vista de baixo sobre fundo preto, com os ossos e órgãos internos visíveis através da pele

Perereca-de-vidro da espécie Vitreorana uranoscopa, do mesmo gênero da nova espécie descrita em Goiás; a foto não é do animal de Luziânia. Foto: Philipe Zan (CC BY-SA 4.0), via Wikimedia Commons

Pesquisadores goianos e do Distrito Federal descreveram uma nova espécie de perereca de pele quase transparente, que deixa ver parte dos órgãos internos. Batizada de Vitreorana micaelae, ela foi encontrada em Luziânia, no Entorno do DF, e chama a atenção por viver no Cerrado: as outras espécies desse grupo de anfíbios são encontradas principalmente na Amazônia e na Mata Atlântica.

A descoberta é de cientistas da Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC Goiás), da Universidade Federal de Goiás (UFG) e da Universidade de Brasília (UnB). O estudo foi publicado em setembro na revista científica internacional ZooKeys.

Como ela é

A perereca mede de 2,2 a 2,6 centímetros, tem cor esverdeada e foi registrada, até agora, em só dois pontos do município, perto de pequenos riachos cercados por matas de galeria, as faixas de floresta que acompanham os cursos d’água no Cerrado. Para confirmar que se tratava de uma espécie nova, os pesquisadores combinaram análises genéticas, medidas do corpo e gravações do canto. Ela se diferencia das parentes pela estrutura dos olhos, pela pigmentação e pelo som que emite.

Ameaças

Ainda não há informação suficiente para saber o tamanho da população nem até onde a espécie se distribui. Por isso, os autores recomendam que ela seja classificada como “Dados Insuficientes” na lista da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) até que novos estudos permitam avaliar o risco de extinção. Ter sido achada em apenas dois locais não quer dizer, necessariamente, que seja rara, mas reforça a necessidade de procurar outras populações.

Entre as ameaças apontadas estão o desmatamento, a mineração, a construção de barragens e as mudanças climáticas, que podem afetar os pequenos riachos e as áreas úmidas de que esses anfíbios dependem. Os pesquisadores pretendem ampliar os levantamentos para outras áreas do Cerrado.

A descoberta reforça o valor das matas ciliares e de galeria, protegidas pelo Código Florestal como Áreas de Preservação Permanente, também no Sudoeste goiano, onde a abertura de lavouras e o uso da água para irrigação pressionam as nascentes e os córregos.

Com informações de: Jornal Opção

AssuntosAnfíbiosBiodiversidadeCerradoLuziâniaMeio AmbienteNova espéciePUC GoiásUFG

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