Usina termelétrica a carvão no Arizona, nos Estados Unidos. Foto: Serviço Nacional de Parques dos EUA (domínio público), via Wikimedia Commons
Ainda é possível limitar o aquecimento global a 1,7°C ou 1,8°C e trazê-lo de volta a 1,5°C acima dos níveis pré-industriais até 2100, mas só se as emissões de gases de efeito estufa caírem 18% até 2030, 45% até 2035 e 69% até 2040, em relação a 2025. A conclusão é do Relatório sobre a Lacuna de Emissões 2026, lançado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma).
Na prática, segundo a Agência Brasil, seria necessário um corte médio de 5,7% ao ano entre 2025 e 2035, esforço muito maior do que o previsto nas novas metas nacionais, as Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs), apresentadas pelos países. O título do relatório, “O Ponto de Retorno”, indica que a meta de 1,5°C deve ser ultrapassada, e o desafio passa a ser fazer a ultrapassagem durar o menos possível.
“Ultrapassar a meta não significa desistir. Ainda podemos mantê-la o mais pequena e curta possível, e trazer as temperaturas de volta para menos de 1,5 grau até o final do século”, afirmou o secretário-geral da ONU, António Guterres.
Três cenários
- Mantida a trajetória atual, o aquecimento pode chegar a 2,8°C neste século;
- Mesmo com as NDCs cumpridas integralmente e a restauração de biomas neutralizando as emissões até 2050, o aquecimento chegaria a 2,1°C;
- Nesse cenário, um quarto das geleiras do planeta derreteria, e o nível do mar subiria até 12,5 centímetros, com efeito permanente sobre a água potável em várias regiões.
Quanto mais alta e mais longa a ultrapassagem, maiores os impactos: ondas de calor, incêndios florestais, colapso de ecossistemas como os recifes de coral e mudanças profundas nas calotas polares e nas geleiras. No Cerrado, onde está Jataí, o calor fora de época e a irregularidade das chuvas já afetam o calendário da lavoura.
O que funciona
O relatório analisou mais de 220 avaliações de políticas climáticas no mundo. As medidas no setor elétrico reduziram as emissões em média 9%, e instrumentos econômicos, como impostos sobre carbono e mercados de emissões, cortaram entre 5% e 13%. Para a diretora executiva do Pnuma, Inger Andersen, os casos de sucesso mostram que as emissões podem cair rápido, mas ainda estão concentrados em poucos países e setores.
Fonte: Agência Brasil.



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