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Operação contra fraude em licitações acha mais de R$ 300 mil em casa de ex-prefeito em MT

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Vista da cidade de Pontes e Lacerda ao longe, a partir de um morro com vegetação

Imagem ilustrativa: vista de Pontes e Lacerda (MT). Foto: Luis Belo (CC BY-SA 3.0), via Wikimedia Commons

Uma operação do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) apreendeu mais de R$ 300 mil em dinheiro vivo na casa do ex-prefeito de Pontes e Lacerda Alcino Pereira Barcelos (PL), na sexta-feira (25). Segundo o portal Pauta Diária, parte das notas estava guardada em uma caixa de Bíblia, e o restante foi encontrado entre objetos em um dos quartos. Havia cédulas de R$ 200, R$ 100 e R$ 50, e o valor ainda estava sendo contado quando o dinheiro foi levado para a sede do MP.

A ação foi coordenada pelo Núcleo de Ações de Competência Originária (Naco), com apoio da Polícia Civil e da Controladoria-Geral do Estado. Foram cumpridas 12 ordens judiciais em Pontes e Lacerda, a 483 quilômetros de Cuiabá, contra agentes públicos e particulares.

O que é investigado

O MPMT apura suspeitas de fraude em licitações, lavagem de dinheiro e associação criminosa em contratos da Prefeitura assinados entre 2017 e 2024. De acordo com o órgão, há indícios de favorecimento à empresa Concretubos Pré-Moldados Ltda., que firmou sete contratos com o município. Cinco deles, de 2022 e 2023, somam cerca de R$ 4,7 milhões, ou R$ 5,78 milhões em valores corrigidos.

A investigação também aponta possíveis laços familiares, empresariais e funcionais entre agentes públicos e particulares ligados às contratações, além de movimentações financeiras suspeitas identificadas pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Outra linha de apuração é a compra da fazenda Estância Rancho Fundo I pelo ex-prefeito, que teria sido paga com 100 cabeças de gado nelore. Segundo o MP, não foram encontrados registros oficiais de movimentação de gado compatíveis com o negócio.

A Justiça autorizou buscas e apreensões, acesso a dados telemáticos, quebra dos sigilos bancário, fiscal e financeiro dos investigados e bloqueio de bens.

O que diz o ex-prefeito

Em vídeo nas redes sociais, Alcino afirmou que o dinheiro estava guardado no quarto, que não havia sido escondido e que ter dinheiro em casa não significa que ele tenha origem ilícita. Ele também classificou a operação como política, por ter ocorrido a poucos dias da eleição. À Justiça Eleitoral, o ex-prefeito declarou patrimônio de R$ 19,2 milhões.

As apurações ainda vão tentar esclarecer a origem do dinheiro e se há relação com os contratos investigados. Não há condenação, e os investigados têm direito à defesa.

Fonte: Pauta Diária e Ministério Público de Mato Grosso

AssuntosBrasil

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