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Paraguai vive dia decisivo: Peña anuncia renúncia, mas governistas travam a votação e Senado julga o impeachment nesta sexta; crise de banco digital deixou 3 milhões de clientes sem acesso

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Retrato de Santiago Peña, presidente do Paraguai, sorrindo, de terno escuro, camisa branca e gravata, com um broche de bandeiras na lapela

Santiago Peña em Washington, em janeiro de 2025. Foto: Departamento de Estado dos EUA (domínio público), via Wikimedia Commons

O Paraguai vive nesta sexta-feira (6) um dia decisivo para o futuro do presidente Santiago Peña. Na quinta-feira (5), pressionado pela quebra de um banco digital e abandonado por parte do próprio partido, ele anunciou que renunciaria ao cargo. A renúncia, porém, não chegou a ser aceita: a sessão do Congresso que a analisaria foi interrompida por falta de quórum depois que deputados governistas deixaram o plenário. Enquanto isso, a Câmara aprovou por unanimidade a abertura de um processo de impeachment, e o Senado marcou o julgamento para esta sexta.

Pelo cronograma anunciado pelo presidente do Congresso, Basilio Núñez, a defesa de Peña poderia se manifestar a partir das 10h, seguida da análise das provas, das alegações e da votação nominal, que pode terminar no mesmo dia. Para destituir o presidente são necessários pelo menos 30 dos 45 votos do Senado. Se a renúncia for aceita ou se Peña for afastado, assume o vice-presidente, Pedro Alliana, até agosto de 2028.

Por que o impeachment importa mesmo com a renúncia

A disputa tem consequência prática. Pela Constituição paraguaia, ex-presidentes podem ocupar uma cadeira de senador vitalício, com direito a voz mas sem voto, a menos que tenham sido destituídos em julgamento político. Parlamentares da oposição defendem levar o impeachment até o fim para que Peña não ganhe essa prerrogativa antes de ter as acusações apuradas.

O colapso do Ueno

A crise começou na terça-feira (3), quando o Banco Central do Paraguai determinou a liquidação do Ueno Bank, banco digital com cerca de 3 milhões de clientes, depois de identificar problemas de solvência ligados a empréstimos a empresas do próprio grupo. O banco administrava cerca de US$ 850 milhões em depósitos públicos, incluindo recursos do Instituto de Previdência Social. O fechamento provocou corrida às agências e protestos em Assunção.

Peña foi acionista do grupo que controla o Ueno até março de 2025. A acusação aprovada pelos deputados fala em mau desempenho das funções e conflito de interesses e cita a nomeação de um ex-dirigente da financeira Ueno para a presidência do Banco Central e a concentração de recursos da previdência no banco. As acusações ainda dependem de julgamento. Ao anunciar a renúncia, Peña pediu desculpas: “Se em algum momento falhei, nunca foi minha intenção decepcionar a confiança que depositaram em mim”.

E Goiás?

Para o superintendente de Comércio Exterior da Secretaria de Indústria, Comércio e Serviços de Goiás, Plínio Viana, ainda é cedo para medir efeitos, mas o impacto no Estado tende a ser limitado, porque o Paraguai não está entre os principais parceiros comerciais dos goianos. Os riscos maiores, segundo ele, estão nas empresas brasileiras com negócios na fronteira, como em Ciudad del Este.

Com informações de: Agência Brasil, Jornal Opção e Mais Goiás.

AssuntosCrise bancáriaGoiásImpeachmentParaguaiSantiago PeñaUeno Bank

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