Área de Cerrado atingida por queimada em Alto Paraíso de Goiás, em imagem de arquivo. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil (CC BY 2.0), via Wikimedia Commons
Nota de cinco centros de pesquisa ligados a UFG, UEG, PUC-GO e IF Goiano vê de 70% a 90% de probabilidade de temperaturas acima do normal em quase todo o estado e prevê atraso no plantio da soja.
Pesquisadores de cinco Centros de Excelência goianos divulgaram uma nota informativa sobre os efeitos que o El Niño pode ter em Goiás em 2026 e 2027. O documento aponta calor acima da média, chuvas reduzidas e mal distribuídas e consequências em cadeia para o abastecimento de água, a agricultura, as queimadas e a saúde pública.
Segundo a nota, “um episódio de El Niño com intensidade muito forte tende a favorecer temperaturas acima da média, especificamente entre o final da primavera e início do verão, além de influenciar na redução das chuvas”. Para o período de novembro de 2026 a fevereiro de 2027, os autores veem “alta probabilidade, entre 70% e 90%, de valores acima da média climatológica em praticamente todo o território goiano”.
Água
O primeiro ponto de atenção é a segurança hídrica. Se a estação chuvosa demorar a se firmar, a estiagem se prolonga e aumenta “a pressão sobre os mananciais utilizados para o abastecimento público, irrigação, dessedentação animal, indústria e geração de energia”. Com menos água disponível, cresce também a possibilidade de conflito entre os diferentes usos.
Lavoura
Para o Sudoeste goiano, o trecho mais sensível é o da agricultura. A nota afirma que “é esperado o atraso da semeadura da soja em Goiás” em relação ao calendário do zoneamento agrícola. E quem plantou em outubro pega a fase crítica da lavoura justamente em novembro e dezembro, “período em que o prognóstico climático indica precipitação abaixo da média e distribuição irregular das chuvas”.
O efeito não para na soja. Colheita mais tarde empurra o plantio do milho e do sorgo de segunda safra, que ficam “mais vulneráveis aos tardios veranicos e ao encurtamento do ciclo chuvoso no outono”. O alerta coincide com o que a Embrapa já havia recomendado na semana passada: ter um plano B para a safrinha.
Fogo e saúde
Calor, ar seco e chuva atrasada também esticam a temporada de incêndios. O documento diz que o El Niño “poderá aumentar a suscetibilidade de Goiás às queimadas e aos incêndios florestais”. A fumaça piora a qualidade do ar, e os pesquisadores listam como principais riscos clínicos a “desidratação e agravamento de doenças cardiovasculares, respiratórias e renais”. Recomendam ainda vigiar a dengue, porque temperatura e chuva mudam as condições de transmissão.
Nem todo El Niño é igual
Os autores fazem uma ressalva importante: os efeitos variam de um episódio para outro e de uma região para outra. Na primavera de 2015, Goiás teve temperaturas de 2 °C a 3 °C acima da média, entre as maiores anomalias do país, e falta de chuva em grande parte do território. Já na primavera de 1982 não houve um padrão seco generalizado. Por isso, a nota fala em probabilidades, não em certeza.
O que os pesquisadores recomendam
- intensificar o monitoramento do clima e dos rios;
- acompanhar a disponibilidade de água para abastecimento e irrigação;
- reforçar o planejamento agrícola, levando em conta as diferenças regionais;
- ampliar a prevenção de incêndios;
- preparar a rede de saúde para os efeitos do calor, da fumaça e das arboviroses.
Assinam o documento pesquisadores dos centros de Estudos, Monitoramento e Previsões Ambientais do Cerrado (Cempa-Cerrado), de Segurança Hídrica do Cerrado (Cehidra), de Tecnologia e Inovação em Saúde (Ceti-Saúde), de Genética e Genômica (CEGGen) e de Agricultura Exponencial (Ceagre). Os centros são financiados pela Fapeg, a fundação estadual de amparo à pesquisa, e vinculados à UFG, à UEG, à PUC Goiás e ao IF Goiano.
Com informações de: Jornal Opção.



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