Fachada do Tribunal Superior Eleitoral, em Brasília. Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
A decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que estendeu a votação do segundo turno até as 19h onde as urnas ainda não tinham sido encerradas, rendeu 34.393 votos em todo o país, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Em Goiás, foram apenas 83 votos depois das 17h10, em 210 seções. A ordem, assinada por quem foi advogado de Lula antes de chegar ao Supremo, segue como alvo da oposição, que a chama de interferência no processo.
Os números foram divulgados na segunda e na terça-feira (27). No país, 32.399 votos foram registrados entre 17h e 18h, 1.981 entre 18h e 19h e 13 depois das 19h, o equivalente a 0,027% do total do dia. Das mais de 473 mil urnas, 24.268 continuavam abertas após as 17h10. São Paulo foi o estado com mais votos tardios (2.496), seguido de Rio de Janeiro (2.349), Bahia (1.656) e Pernambuco (577).
Pelas regras da Justiça Eleitoral, seções que fecham até as 17h10 estão dentro da rotina, porque o boletim de urna leva cerca de dez minutos para ser emitido, e quem já estava na fila às 17h vota mesmo depois do horário.
Como a decisão chegou a Zanin
O pedido de adiamento em todo o país foi feito pela Federação Brasil da Esperança (PT, PV e PCdoB), com base em relatos de falta de ônibus em cidades como São Paulo e Salvador. Segundo o Jornal Opção, ele foi levado primeiro ao presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, por volta das 13h30, e não foi analisado. Chegou ao STF por volta das 15h30, ao presidente da Corte, Edson Fachin, e cerca de uma hora depois foi distribuído a Zanin, que decidiu minutos depois das 17h.
A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) também pediu mais tempo, mas só para cidades de São Paulo, Minas Gerais, Santa Catarina e Rio Grande do Sul atingidas por temporais. A decisão de Zanin valeu para todo o país.
As críticas
Para a oposição, o problema é quem decidiu e quando. “A urna foi estendida durante duas horas pelo advogado do adversário”, disse o deputado federal e senador eleito por Goiás Gustavo Gayer (PL) em vídeo nas redes. Flávio Bolsonaro também questionou a decisão de Zanin, que foi advogado de Lula nos processos da Lava Jato antes de ser indicado ao STF pelo próprio presidente. O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado chamou a prorrogação de desrespeitosa, e o próprio presidente do TSE disse que a decisão “gerou dificuldades” para a Justiça Eleitoral, que teve de refazer etapas de recebimento dos boletins e de totalização.
O STF não comentou as críticas. Os dados do TSE mostram que os votos dados depois das 17h não mudariam o resultado: a diferença de Lula sobre Flávio passou de 4,4 milhões de votos. Flávio chegou a usar a prorrogação como argumento para não reconhecer a derrota, mas depois desistiu de pedir a anulação, e o PL reconheceu o resultado.
Com informações de: Agência Brasil e Jornal Opção



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