Lula discursa depois da vitória, em hotel de São Paulo, na noite de domingo (25). Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil
No primeiro discurso depois de ser reeleito para o quarto mandato, na noite deste domingo (25), em São Paulo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse que vai regular as plataformas digitais, que acusou de interferir na eleição “de fora para dentro”, e anunciou que passará a falar direto com a população. “Não vou ficar permitindo ser interpretado por jornalista com má-fé. Vou dizer o que penso, o que faço”, afirmou.
Lula teve 64.256.232 votos, 51,79% dos válidos, contra 59.826.041 (48,21%) do senador Flávio Bolsonaro (PL), uma diferença de 4,43 milhões de votos, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A abstenção foi de 19,22%, com mais de 30,5 milhões de eleitores ausentes. Lula completa 81 anos nesta terça-feira (27) e, se cumprir o mandato até o fim, será o presidente mais velho da história do país. Ele já disse que este será o último.
Big techs e "intromissão"
“É uma eleição em que a gente teve que vencer a intromissão vinda de fora para dentro através de plataformas digitais, que nós vamos ter que regulá-las”, declarou. Mais tarde, completou: “Não podemos ter empresas monstruosas e grandes ganhando bilhões, não pagando nenhum imposto neste país, tentando direcionar o resultado eleitoral”. O presidente não detalhou que medidas pretende propor nem apresentou prova da interferência citada.
No mesmo discurso, Lula agradeceu ao deputado André Janones, que coordenou no segundo turno o grupo “Exército de Lula” no WhatsApp, alvo de questionamento da campanha adversária no TSE na semana passada. Prometeu ainda escola integral até o ensino médio, Pé-de-Meia para universitários, atração de data centers, uma inteligência artificial brasileira e a federalização da segurança pública, que, segundo ele, os estados “não dão conta” de resolver.
Cobrança de Motta
Os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), cumprimentaram o presidente, mas com recados. “Quero que o presidente reeleito possa fazer uma avaliação dos seus acertos, mas também dos erros cometidos”, disse Motta, para quem o país “passou os últimos quatro anos radicalizado”. Alcolumbre afirmou que a missão de Lula será “unir o Brasil, pacificar o Brasil, fortalecer as instituições democráticas”.
Oposição não reconhece
Flávio Bolsonaro anunciou que não reconhece o resultado e que vai pedir a anulação da eleição, por causa da decisão do ministro do Supremo Cristiano Zanin que prorrogou a votação em duas horas em parte do país. Ele saiu sem responder a perguntas. O presidente do STF, Edson Fachin, disse em nota que a vontade dos eleitores deve ser respeitada.
Fonte: Agência Brasil (discurso, Motta e Alcolumbre e Flávio) e TSE



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