O relator da comissão, deputado Alfredo Gaspar | Foto: Carlos Moura/Agência Senado
Alfredo Gaspar aponta conexão entre fraudes previdenciárias, PCC e o grupo terrorista Hezbollah: ‘Mecanismo que coloca o Brasil nessa rota internacional’
O relator da CPMI do INSS, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), afirmou que o colegiado avançou sobre uma dimensão mais ampla do que a inicialmente prevista e identificou uma rede de lavagem de dinheiro estimada em quase R$ 40 bilhões, com conexões que ultrapassam o sistema previdenciário.
Para o relator, o caso revela uma fragilidade estrutural do Estado brasileiro: “O Brasil está uma porta aberta para lavagem de dinheiro”. “E essa porta aberta tem que ser discutida por nós também, nós não podemos ter a cada dia uma novidade de corrupção com lavagem de dinheiro por conta da permissividade legislativa.”
Segundo Gaspar, essa vulnerabilidade tem origem na condução política da Previdência ao longo dos anos. “Essa esculhambação chegou a esse ponto porque o sistema de previdência brasileiro foi loteado para atender a interesses políticos”, afirmou.

Em um cenário em que a CPMI chegaria ao fim nesta semana, Gaspar preparou o que seria o relatório final, em que está concluído e reúne a dimensão dessas descobertas.
“Eu tenho hoje um relatório pronto, por volta de 5 mil páginas e 228 indiciados”, afirmou. “Não cito no relatório Lula, Bolsonaro, porque eu tenho a responsabilidade de fazer uma coisa técnica, baseada nos dados da CGU, do TCU, dos depoimentos e das quebras de sigilo.”
Prorrogação da CPMI do INSS
Para o relator, a prorrogação da CPMI será fundamental para avançar além do relatório e estruturar respostas institucionais ao problema: “Vai ser muito importante, porque nós estamos trabalhando na legislação, através de projetos de lei, para buscar uma blindagem do sistema de previdência”.
Gaspar também rebateu críticas sobre o andamento dos trabalhos e minimizou o impacto da ausência de testemunhas.
“No arcabouço probatório da investigação, o que menos gastamos tempo é em testemunhas”, ressaltou. “Nós analisamos dados, afastamento de sigilos, indícios. Estamos anos-luz à frente de ficarmos parados por conta da ausência de testemunhas.”
Fonte: Revista Oeste



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