Entrada da Estação de Tratamento de Esgoto Dr. Hélio Seixo de Britto, em Goiânia. Foto: Túllio F (CC BY-SA 4.0), via Wikimedia Commons
Um levantamento do Instituto Trata Brasil divulgado às vésperas da eleição mostra que só 13 dos 62 principais candidatos a governador do país, ou 21%, apresentaram planos de governo considerados abrangentes na área de saneamento básico. Em Goiás, nenhum dos dois candidatos avaliados chegou a esse nível, e o estado ficou entre os dez com pior média no ranking.
Como foi feita a avaliação
O estudo, elaborado com a consultoria GO Associados, analisou os planos registrados na Justiça Eleitoral até 15 de setembro pelos candidatos com mais chances de vencer ou chegar ao segundo turno, segundo pesquisas divulgadas entre 22 de agosto e 4 de setembro. Em Goiás, entraram na amostra os dois mais bem colocados na pesquisa Quaest de 27 de agosto. O instituto não divulga os nomes, para não recomendar voto.
Os planos foram avaliados em quatro eixos: planejamento e regionalização para a universalização; viabilização de investimentos; governança e regulação; e metas tangíveis. Cada candidato recebeu uma nota de 1 a 4: ausente, superficial (um eixo), transversal (dois ou três eixos) ou abrangente (os quatro).
Goiás abaixo da média
A média dos candidatos goianos foi de 2,50, o que indica um plano classificado como superficial e outro como transversal. Só oito estados tiveram média menor. Pernambuco foi o único em que os dois candidatos avaliados receberam a nota máxima. O Centro-Oeste teve a pior média entre as regiões (2,70), embora tenha a segunda melhor cobertura de água e esgoto do país.
| Indicador de Goiás (Sinisa 2024) | Resultado |
|---|---|
| Atendimento total de água | 88,83% |
| Atendimento total de esgoto | 66,32% |
| Tratamento de esgoto | 62,31% |
| Investimento médio por habitante | R$ 109,93 |
| Nota média dos candidatos em saneamento | 2,50 (de 1 a 4) |
Pelos dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento Básico (Sinisa), um em cada três goianos ainda não é atendido por rede de esgoto.
Promessa sem meta
No conjunto do país, a universalização dos serviços aparece em 87% dos planos, mas só 26% trazem metas verificáveis. “Eu falo de universalização, mas eu não me comprometo com meta. E isso é um problema”, avaliou a presidente executiva do Trata Brasil, Luana Pretto, à Agência Brasil. Ela também cobrou atenção à regulação: para o instituto, as agências reguladoras precisam ser técnicas, independentes e fortes.
O estudo mostrou ainda que, entre os nove governadores que tentam a reeleição, quatro apresentaram planos abrangentes (44%), proporção quase três vezes maior que a dos demais candidatos. O Trata Brasil ressalva que a avaliação considera apenas o texto dos planos, e não a viabilidade das propostas nem o histórico dos candidatos.
Fonte: Agência Brasil e Instituto Trata Brasil, estudo “O comprometimento dos candidatos a governador com o saneamento”



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