Entre quem se exercita, a média é de 2,4 dias de atividade física por semana. Foto: Bruno Peres/Agência Brasil
O brasileiro se enxerga mais saudável do que realmente é. Seis em cada dez avaliam a própria saúde como ótima ou boa, mas 63% estão acima do peso e 42% não fazem nenhuma atividade física. Somados, esses são dois dos principais fatores de risco para o câncer. Os dados são de uma pesquisa do A.C.Camargo Cancer Center com a Nexus Pesquisa e Inteligência de Dados, que ouviu 2.015 pessoas a partir de 16 anos nas 27 unidades da Federação.
Pelos critérios da Organização Mundial da Saúde (OMS), 26% dos entrevistados têm obesidade. E mesmo entre os que dizem se exercitar, a frequência é baixa: em média, 2,4 dias por semana.
O que diz o especialista
Para o patologista Victor Piana, presidente do A.C.Camargo, o excesso de peso já é reconhecido como fator de risco para mais de dez tipos de câncer, entre eles os de intestino, mama, pâncreas e esôfago. Ele lembra que a atividade física regular é uma das formas de prevenção mais baratas e acessíveis. Além de reduzir o risco de tumores, ela ajuda no controle do peso e melhora a resposta do organismo durante e depois do tratamento.
Alimentação: preço e falta de tempo
A maioria (66%) diz consumir alimentos frescos, como frutas, verduras, legumes, ovos e carnes, em seis dias ou mais da semana. Bebidas açucaradas, ultraprocessados, doces e frituras aparecem, em média, dois dias por semana. Entre quem não consegue se alimentar bem, 29% culpam o preço de carnes, frutas e verduras, e 21% citam falta de tempo e cansaço.
A renda faz diferença. Entre quem ganha até um salário mínimo, 40% têm dificuldade de manter uma alimentação saudável. Acima de cinco salários mínimos, o índice cai para 10%, e o principal obstáculo passa a ser o tempo (39%).
O paradoxo do álcool
Mais da metade dos entrevistados (58%) diz não beber. Outros 30% consomem álcool de um a dois dias por semana, e 5% bebem de cinco a sete dias. O dado curioso é que quem mais bebe é justamente quem mais se considera saudável: 64% dos que bebem quase todos os dias avaliam a própria saúde como ótima ou boa, contra 58% dos que não bebem. O álcool é classificado como cancerígeno pela OMS.
Para os responsáveis pelo estudo, o maior risco está naquilo que o brasileiro não percebe: excesso de peso, sedentarismo, cigarro e álcool se instalam aos poucos na rotina. A boa notícia, segundo Piana, é que todos esses fatores podem ser mudados.
Fonte: Agência Brasil



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