Destruição em Rafah, no sul da Faixa de Gaza, depois da retirada de tropas israelenses no cessar-fogo (imagem de arquivo). Foto: Ashraf Amra/UNRWA (CC BY-SA 3.0 IGO), via Wikimedia Commons
Desde o cessar-fogo anunciado há um ano, 1.431 palestinos foram mortos, segundo o Ministério da Saúde local. Plano mediado pelos Estados Unidos está travado no impasse entre a saída das tropas israelenses e o desarmamento do Hamas.
O ataque do Hamas ao sul de Israel, que matou cerca de 1,2 mil pessoas em 7 de outubro de 2023, completa três anos nesta quarta-feira (7) sem que o “plano de paz” mediado pelos Estados Unidos tenha saído do papel na Faixa de Gaza. Israel mantém ocupados 60% do território palestino, e os bombardeios aéreos contra áreas densamente povoadas são diários, de acordo com relatório do Escritório das Nações Unidas para Assuntos Humanitários (Ocha) publicado na segunda-feira (5).
Entre 23 e 30 de setembro, 29 palestinos foram mortos e 147 ficaram feridos, segundo o Ministério da Saúde de Gaza. Desde o anúncio do cessar-fogo, em 10 de outubro de 2025, são 1.431 mortos, quase quatro por dia. A resposta militar israelense ao ataque de 2023 já causou a morte de mais de 74 mil pessoas no enclave.
Fome à vista
O Ocha alerta que a produção diária de refeições quentes em Gaza vai cair “significativamente” a partir deste mês por falta de dinheiro: só 40% dos US$ 4 bilhões pedidos para a ajuda humanitária foram repassados. A previsão do órgão é de que 1,4 milhão de pessoas, 67% da população, enfrentem insegurança alimentar aguda até dezembro.
O impasse
O plano anunciado pelo presidente norte-americano, Donald Trump, esbarra numa condição que cada lado impõe ao outro. “Para Israel desocupar Gaza, eles falam que o Hamas tem que se desarmar. A gente está nesse impasse, e os EUA não estão se colocando para destravar esse impasse”, disse à Agência Brasil o professor de relações internacionais Bruno Huberman, da PUC-SP. O Hamas, por sua vez, só aceita entregar as armas depois da retirada israelense.
Segundo o professor, o comitê de palestinos sem ligação partidária que deveria acompanhar a reconstrução está exilado no Egito desde novembro do ano passado, impedido por Israel de entrar em Gaza. O ministro das Relações Exteriores israelense, Gideon Sa’ar, tem afirmado que a transferência do governo civil só será aceita com a desmilitarização total dos grupos palestinos.
Para a professora Isabela Agostinelli, da Fecap, a situação dos quase 2 milhões de moradores “não melhorou em nenhum sentido”. “São menos bombas caindo em Gaza, mas os palestinos continuam sendo mortos, direta ou indiretamente”, afirmou. Ela lembra que milícias rivais do Hamas atuam no território com apoio de Israel, algo que o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu admitiu em 2025, alegando que isso poupa a vida de soldados israelenses.
Uma região redesenhada
Nesses três anos, o Oriente Médio mudou de configuração: caiu o governo de Bashar al-Assad na Síria, Israel entrou em guerra com o Hezbollah no Líbano, Israel e Estados Unidos atacaram o Irã, o Estreito de Ormuz foi fechado e voltou o conflito entre os houthis do Iêmen e a Arábia Saudita.
Huberman chama o 7 de outubro de “ponto de virada”. O bloco de países árabes alinhados a Washington rachou, os Emirados Árabes Unidos deixaram a Opep e, em agosto deste ano, Turquia, Arábia Saudita e Paquistão firmaram um acordo de defesa conjunta.
Os reflexos chegam ao Brasil pelo preço do petróleo, que passou de US$ 130 o barril em abril e hoje gira em torno de US$ 100, com efeito direto sobre o diesel, o frete e o custo da safra em regiões agrícolas como o Sudoeste goiano.
Fonte: Agência Brasil e Agência Brasil.



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