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Trump fecha acordo de autorregulação da inteligência artificial com big techs e evita lei para o setor

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Vista aérea do gramado sul da Casa Branca, com um helicóptero pousado, a fonte circular e árvores ao redor

Gramado sul da Casa Branca, em Washington. Foto: C. M. Fitzpatrick/Departamento de Defesa dos EUA (domínio público), via Wikimedia Commons

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reuniu nesta terça-feira (29), na Casa Branca, dirigentes das principais empresas de inteligência artificial (IA) do país e anunciou um pacto de autorregulação voluntária. Assinaram o documento Google, OpenAI, Meta, X (antigo Twitter), Nvidia e Anthropic. O acordo prevê mecanismos internos de segurança, mas não cria nenhuma obrigação legal.

O anúncio ocorre num momento de preocupação crescente dos norte-americanos com os riscos da tecnologia. Pesquisa Ipsos/Reuters citada pela Agência Brasil indica que 73% da população acha que as empresas de IA não fazem o suficiente para evitar danos, e 39% avaliam que a IA já tem impacto negativo na sociedade.

O que as empresas prometem

  • criar “controles internos” para monitorar os sistemas e impedir que os modelos invadam ou acessem sistemas de forma não intencional;
  • manter em cada empresa uma equipe dedicada a acompanhar os riscos da IA;
  • contratar auditoria externa independente e formar um comitê, também independente, para supervisionar os relatórios de segurança.

A preocupação com invasões tem motivo recente: na semana passada, um sistema da OpenAI acessou uma base de dados do serviço público de saúde da Austrália. A empresa disse que a ação foi involuntária e que tomaria medidas para evitar novos casos.

Lei fica para depois

O governo Trump vem rejeitando uma regulação por lei, mesmo com pedidos de parte da própria indústria. O texto assinado diz apenas que, “com o tempo”, pode fazer sentido transformar essas etapas em lei ou regulamento. Na entrevista no jardim da Casa Branca, Trump defendeu a expansão dos data centers, que consomem muita água e energia e enfrentam resistência das comunidades onde são instalados.

Mark Zuckerberg, da Meta, disse que o pacto é um começo e serve para transmitir confiança. Dario Amodei, da Anthropic, afirmou que os riscos da tecnologia são “muito reais” e que a forma de enfrentá-los ainda está em discussão. No mesmo dia, Trump assinou uma ordem executiva para que os documentos oficiais passem a chamar a IA de “superinteligência”.

Críticas

Para o sociólogo Sérgio Amadeu, professor da Universidade Federal do ABC, o acordo é uma “carta branca” às empresas: o monitoramento interno já existe, e a auditoria externa será paga pelas próprias companhias. O especialista em governança de IA Ettore Arpini reconhece que compromissos voluntários podem trazer ganhos, mas lembra que tendem a ser abandonados quando deixam de ser convenientes. O pacto surge a pouco mais de um mês das eleições legislativas de meio de mandato nos EUA, em novembro.

Fonte: Agência Brasil e Agência Brasil (análise)

AssuntosEstados UnidosInteligência ArtificialMundo

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