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Vendas de Jataí à União Europeia sobem 55% em 2026, puxadas pelo farelo de soja; Fieg projeta US$ 208 milhões a mais por ano para Goiás, e bloco cobra prova de que não houve desmate

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Grãos de soja caindo de uma tubulação sobre um grande monte em caminhão coberto por lona

Carregamento de soja para exportação. Foto: Roosewelt Pinheiro/Agência Brasil (CC BY 3.0 BR), via Wikimedia Commons

De janeiro a setembro, Jataí embarcou US$ 62,4 milhões para o bloco europeu, contra US$ 40,2 milhões em igual período de 2025. Estudo da federação das indústrias mostra o que o acordo pode trazer para o produtor goiano, e o que vai cobrar dele.

O acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia (UE) entrou em vigor de forma provisória em 1º de maio, e a Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg) divulgou nesta quinta-feira (29) um estudo sobre seus efeitos no estado. A projeção é de US$ 208 milhões a mais por ano em exportações goianas quando todas as reduções de tarifas estiverem concluídas, por volta de 2036. Não é um ganho já obtido: as tarifas caem por etapas, e o resultado depende do consumo e da capacidade das empresas de vender mais.

A maior parte das oportunidades, segundo o analista Saulo Nogueira, da Fieg, está na agroindústria, com carnes bovina e de frango, açúcar e etanol entre os destaques. A conta divide-se em US$ 87 milhões de 40 produtos industriais e agroindustriais analisados em detalhe, US$ 43 milhões de outros industriais e US$ 78 milhões de commodities agrícolas e minerais. A entidade também estima 24,2 mil empregos nos setores exportadores.

O recorte de Jataí

Dados do Comex Stat, do governo federal, levantados pelo Diário de Jataí, mostram que a Europa já ganhou peso nas vendas do município. De janeiro a setembro de 2026, a UE comprou US$ 62,39 milhões de Jataí, 7,5% dos US$ 835,4 milhões exportados. No mesmo período de 2025, foram US$ 40,15 milhões, ou 4,9% do total, uma alta de 55%. Não é possível atribuir esse avanço ao acordo: a estatística mostra o resultado, não a causa.

  • Farelo de soja: US$ 59,2 milhões e 172,9 mil toneladas, ante US$ 34,9 milhões e 101 mil toneladas em 2025;
  • Soja em grão: US$ 2,96 milhões, 7 mil toneladas;
  • Principal comprador: Polônia, com US$ 49,2 milhões (US$ 21 milhões em 2025), seguida de Espanha (US$ 7 milhões), Bélgica e Países Baixos (US$ 2,9 milhões cada).

Carne: cotas com tarifa menor

O farelo e os alimentos para animais já são o principal item de Goiás para a UE: US$ 562,2 milhões, 33,5% do total de US$ 1,68 bilhão vendido ao bloco em 2025. A carne bovina soma US$ 170,1 milhões, e é nela que o acordo mexe mais: o Mercosul terá cota de 99 mil toneladas com tarifa de 7,5%, contra 42% a 46% antes, e a tarifa interna de 20% da Cota Hilton, de cortes nobres, foi eliminada. Para o frango desossado, há cota de 180 mil toneladas sem imposto, e o mesmo volume para o açúcar.

A cobrança: provar que não houve desmate

A contrapartida chega à porteira. As cadeias de soja e de carne bovina precisam atender às regras europeias contra o desmatamento, com declarações de diligência e geolocalização que comprovem que não houve abertura de área depois de 31 de dezembro de 2020. Na prática, para quem vende a tradings e frigoríficos, ter a propriedade regular e bem documentada passa a valer dinheiro. Nogueira reconhece que o bloco é exigente, mas lembra que paga mais: o que sai a 100 dólares para outros mercados pode alcançar de 130 a 150 na Europa.

Com informações de: Jornal Opção, Mais Goiás e Comex Stat/MDIC.

AssuntosAcordo Mercosul-União EuropeiaExportaçãoFarelo de sojaFiegGoiásJataí

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