O artista plástico Vik Muniz em visita ao Senado Federal. Foto: Agência Senado (CC BY 2.0), via Wikimedia Commons (arquivo)
Cédulas de real que nunca chegaram a circular viraram onças, araras e paisagens nas mãos do artista plástico Vik Muniz. O resultado estará na exposição “Dinheiro Vivo”, que abre em Goiânia no dia 6 de outubro, com entrada gratuita.
A mostra, com curadoria de Daniel Rangel, reúne 13 obras produzidas a partir de 2022. A série nasceu quando o artista, durante um trabalho ligado à recuperação do Museu Nacional, destruído por um incêndio em 2018, visitou a Casa da Moeda e descobriu que as folhas de cédulas com defeito são retiradas da produção e trituradas. Parte desse material foi cedida a ele e passou a ser sua matéria-prima.
Cada bicho com a sua nota
O primeiro núcleo da exposição recria os animais que estampam as próprias cédulas brasileiras, como o mico-leão-dourado, a arara, a garça, a garoupa, o lobo-guará e a onça-pintada. A regra é rígida: cada animal é montado apenas com fragmentos da nota em que ele aparece. O lobo-guará, por exemplo, é feito com pedaços da cédula de R$ 200, e a garça, com a de R$ 5.
O segundo núcleo reconstrói paisagens brasileiras a partir de gravuras de artistas viajantes do século 19, como Johann Moritz Rugendas e Franz Keller Leuzinger, entre elas vistas da Serra de Ouro Branco, da costa da Bahia e da Lagoa Rodrigo de Freitas. Para pintar a vegetação, o artista teve de garimpar os tons de verde disponíveis na nota de R$ 20.
Para Muniz, o dinheiro é uma forma de comunicação: entre todos os meios de troca simbólica, diz ele, é a imagem mais direta e objetiva. A mostra também permite uma leitura ambiental, tanto pelos bichos e paisagens retratados quanto pelo reaproveitamento de um material que seria destruído.
Serviço
- Exposição: Vik Muniz – Dinheiro Vivo
- Abertura: 6 de outubro, às 19h
- Visitação: até 31 de janeiro de 2027
- Local: Galeria Léo Romano, Setor Sul, Goiânia
- Entrada: gratuita
A exposição faz parte de uma programação temporária da Galeria Nara Roesler em Goiânia, no ano em que a galeria completa 50 anos, e deve trazer também obras de artistas como Abraham Palatnik, Tomie Ohtake, Daniel Senise, Lucia Koch, Julio Le Parc e Rodolpho Parigi.
Com informações de: Jornal Opção



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