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Carros elétricos “somem” no Entorno do DF: oito cidades goianas com 1,2 milhão de moradores têm só 57 registrados desde 2022, e Goiás suspeita de emplacamento em Brasília para fugir do IPVA

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Carro elétrico conectado a um ponto de recarga em garagem, com placa indicando vaga para veículo elétrico

Ponto de recarga de carro elétrico no Senado Federal, em Brasília: o DF isenta esses veículos de IPVA até 2027. Foto: Agência Senado/CC BY 2.0, via Wikimedia Commons

Os municípios goianos vizinhos de Brasília quase não têm carros elétricos e híbridos registrados, e a diferença em relação ao Distrito Federal é tão grande que levantou a suspeita de fraude no IPVA. A hipótese é que moradores de Goiás estejam emplacando os veículos com endereços no DF, onde esses carros não pagam o imposto até o fim de 2027.

O levantamento, divulgado pelo portal O Cerradão, cruzou os emplacamentos de janeiro de 2022 a setembro de 2026 com as estimativas de população do IBGE. Oito dos principais municípios do Entorno, que somam cerca de 1,2 milhão de habitantes, registraram juntos apenas 57 veículos eletrificados no período, menos de cinco para cada 100 mil moradores. No Distrito Federal, o índice é de 2.539 por 100 mil, mais de 500 vezes maior.

Comparação com outras cidades goianas

A distância aparece também dentro de Goiás. Aparecida de Goiânia tem 291 eletrificados por 100 mil habitantes, Senador Canedo, 344, e Trindade, 250. A média dos municípios goianos com mais de 50 mil habitantes fora do Entorno é de 425 por 100 mil. Já Santo Antônio do Descoberto, com cerca de 76 mil moradores, não teria nenhum registro no período, e Cidade Ocidental, com 104 mil, apenas um.

Renda e perfil de consumo podem explicar parte da diferença, e os números, sozinhos, não provam fraude. A irregularidade depende de comprovar, caso a caso, que o endereço declarado não é o domicílio real do dono do carro.

Operação já recuperou milhões

O problema não é novo. Em agosto de 2024, a Secretaria da Economia de Goiás e a Polícia Civil deflagraram a Operação Quíron para investigar registros de veículos fora do estado. Na primeira fase, cerca de 500 proprietários foram investigados, e aproximadamente 99% dos casos tinham ligação com o DF. Em abril de 2025, o Estado informou ter recuperado mais de R$ 3 milhões; em setembro, cerca de 700 donos de veículos já tinham sido notificados, com prejuízo estimado em R$ 10 milhões, e uma nova etapa mirou 172 veículos comprados fora de Goiás.

Quem tiver a irregularidade comprovada pode ter de pagar o IPVA devido a Goiás, com multa de 100%, diferenças de ICMS quando for o caso e até responder por crime contra a ordem tributária. A notificação, sozinha, não significa que o proprietário cometeu fraude.

Para o motorista de Jataí, a regra é a mesma: o veículo deve ser registrado no município onde o dono mora. Goiás não tem isenção de IPVA para carros elétricos equivalente à do Distrito Federal.

Fonte: O Cerradão

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