Imagem ilustrativa: mina de terras raras de Mountain Pass, na Califórnia (EUA). Não é uma mina de Goiás. Foto: Ken Lund (CC BY-SA 2.0), via Wikimedia Commons
Goiás está no centro da corrida internacional pelas terras raras, grupo de minerais usados em ímãs de motores elétricos, turbinas eólicas e equipamentos de defesa. O estado abriga a operação comercial mais avançada do Brasil, em Minaçu, no Norte goiano, e um segundo projeto de grande porte, em Nova Roma, no Nordeste do estado.
O quadro aparece em levantamento publicado no sábado (10) pela Folha de S.Paulo e repercutido pelo Jornal Opção. O jornal paulista identificou pelo menos 18 empresas estrangeiras com processos minerários para pesquisar ou explorar terras raras no país, que somam mais de US$ 3,5 bilhões (cerca de R$ 17,5 bilhões) entre dinheiro já aplicado e investimento previsto. As australianas lideram, com 11 grupos; Canadá e Estados Unidos têm três cada.
Minaçu: mina já produz e mudou de dono
A Serra Verde, em Minaçu, recebeu a licença para operar em 2023 e começou a produzir em escala comercial no ano seguinte. A mina entrega um concentrado, o carbonato misto de terras raras, usado principalmente na fabricação de ímãs de alto desempenho. Em agosto deste ano, a norte-americana USA Rare Earth concluiu a compra da operação e informa que o projeto já recebeu mais de US$ 1 bilhão.
A empresa afirma que a atividade em Goiás não se limita a tirar minério do solo, pois o beneficiamento inicial é feito no local. A separação dos elementos, etapa que mais agrega valor, ainda ocorre fora do país. O Brasil é citado como uma das possibilidades para receber uma futura unidade de separação, sem local definido.
Nova Roma e Aparecida de Goiânia
Em Nova Roma, a canadense Aclara estima investir US$ 781 milhões em seu projeto. A companhia mantém uma planta-piloto em Aparecida de Goiânia para testar a tecnologia de processamento. O modelo de negócio prevê as primeiras etapas no Brasil e a separação dos elementos e a fabricação de metais e ligas em instalações nos Estados Unidos. A produção em escala industrial depende do avanço do empreendimento.
Por que tanto interesse
Governos e empresas querem reduzir a dependência da China, que domina a produção e o processamento mundial desses minerais. No fim de setembro, a australiana Lynas anunciou a compra da Meteoric Resources, dona de um projeto no sul de Minas Gerais, por cerca de R$ 3,5 bilhões, poucas semanas depois do negócio em Goiás.
Há ressalvas. Nem todos os projetos mapeados estão em operação: boa parte depende de licenciamento ambiental, de estudos geológicos, de comprovação de viabilidade e de financiamento. E o desafio para o país, e para Goiás, é ficar com mais etapas da cadeia industrial, e não apenas com a extração.
Com informações de: Jornal Opção, a partir de levantamento da Folha de S.Paulo.



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