Voçoroca em solo arenoso no Rio Grande do Sul (imagem ilustrativa; não é a de Valparaíso). Foto: Carmem Lucas Vieira (CC BY-SA 4.0), via Wikimedia Commons
O avanço de uma voçoroca, a forma mais grave de erosão do solo, levou o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) a antecipar a interdição total da via marginal da BR-040 em Valparaíso de Goiás, no Entorno do Distrito Federal. A cratera tem cerca de 500 metros de comprimento e 20 metros de profundidade, e o bloqueio foi decidido depois que técnicos encontraram deformações no asfalto.
A erosão fica no sentido Plano Piloto, ao lado do Brasil Center Shopping e perto da passarela amarela que liga os bairros Valparaíso I e II. O fechamento da marginal já estava previsto no projeto executivo da obra contratada pelo DNIT para o km 1,9 da rodovia, que prevê conter o avanço da erosão e ampliar a drenagem das águas da chuva. O prazo estimado é de até seis meses.
Túnel sob a pista
A obra inclui a instalação de uma estrutura do tipo tunnel liner sob a pista principal da BR-040, um método de escavação não destrutivo que permite implantar galerias subterrâneas sem abrir uma vala em toda a extensão da rodovia. A Prefeitura de Valparaíso acompanha os serviços, que também devem reduzir as enxurradas e os alagamentos que se repetem na região.
Durante a interdição, o DNIT orienta os motoristas a usar a pista principal da BR-040 ou as vias internas da cidade, com atenção à sinalização e possível aumento no tempo de viagem nos horários de pico.
Duas décadas de erosão
Segundo a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Goiás (Semad), a voçoroca começou a se formar há cerca de 20 anos. No início de 2026, foram feitas medidas paliativas, com grades metálicas e barreiras de pedra, para tentar frear o desgaste.
Voçorocas se formam quando a água da chuva se concentra e escoa com força sobre um ponto vulnerável, arrancando camadas de solo até abrir grandes fendas. O problema se agrava com a impermeabilização causada pela expansão urbana, a falta de drenagem, a retirada da vegetação e a ocupação desordenada. É um risco conhecido também no Sudoeste goiano, onde solos arenosos e chuvas fortes exigem curvas de nível e manejo da água nas lavouras e nas estradas vicinais.
Fonte: O Cerradão



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