Trecho onde acidente matou quatro pessoas não será duplicado e só terá faixa adicional a partir do 7º ano da nova concessão
A tragédia que matou quatro pessoas e deixou outras seis feridas em um grave acidente na BR-163, em Mato Grosso do Sul, reacendeu o debate sobre as condições de segurança da principal rodovia do Estado. Apesar da gravidade da colisão, o trecho onde ocorreu o acidente não está previsto para ser duplicado no novo contrato de concessão da rodovia.
No local do acidente, na altura do km 568, entre Bandeirantes e Campo Grande, a previsão é de implantação de faixa adicional somente a partir do 7º ano da concessão, em 2032.
A informação consta do cronograma do novo contrato firmado com a Motiva Pantanal, antiga CCR MS Via. Segundo a concessionária, estão previstas faixas adicionais entre os km 563+900 e 570+800, no sentido norte, e entre os km 570+200 e 571+600, no sentido sul.
A intervenção, portanto, não representa a duplicação do trecho, mas apenas a criação de uma faixa adicional em pontos específicos da rodovia.
Rodovia da morte
O acidente ocorreu na tarde de domingo (16) e envolveu cinco veículos. Segundo as informações divulgadas sobre a ocorrência, um Chevrolet Onix teria tentado realizar uma ultrapassagem e invadido a pista contrária, colidindo frontalmente com uma carreta carregada com couro.
Após a colisão, o caminhão perdeu o controle e atingiu uma carreta-tanque carregada com óleo diesel. O impacto provocou uma explosão de grandes proporções.
Uma caminhonete branca e outro automóvel também acabaram envolvidos na ocorrência.
Quatro pessoas morreram no local, entre elas o motorista do Onix, Valderlânio Daniel Santos, de 49 anos. Outras três vítimas que estavam em um dos veículos ainda não haviam sido identificadas.
Seis pessoas ficaram feridas, sendo três em estado grave. A ocorrência provocou um congestionamento de aproximadamente 20 quilômetros, e o tráfego só foi totalmente liberado por volta das 23h40.
A pista simples é apontada há anos como um dos fatores que aumentam o risco de acidentes graves na BR-163, que ganhou o apelido de “rodovia da morte”.
Promessa de duplicação ficou pelo caminho
A situação contrasta com a promessa feita quando a BR-163 foi concedida à iniciativa privada, em 2014.
Na época, o contrato previa a duplicação de praticamente toda a rodovia em Mato Grosso do Sul em um prazo de cinco anos. Entretanto, a antiga concessionária CCR MS Via executou apenas cerca de 150 quilômetros de duplicação.
O novo contrato prevê a construção de mais 203 quilômetros de pista duplicada.
Somando os trechos já duplicados aos que ainda serão construídos, aproximadamente 353 quilômetros da BR-163 em Mato Grosso do Sul deixarão de ser pista simples. Isso representa cerca de 42% dos 847 quilômetros da rodovia que cortam o Estado de norte a sul.
Na prática, aproximadamente 60% da BR-163 continuará sem duplicação.
Pedágio fica mais caro antes das obras
A situação ganha ainda mais repercussão porque a tarifa de pedágio da rodovia sofreu aumento de aproximadamente 41% no dia 5 deste mês.
Enquanto o usuário já paga mais caro para utilizar a estrada, o trecho onde ocorreu a tragédia continuará sem duplicação e, conforme o cronograma informado pela concessionária, terá uma intervenção mais significativa somente daqui a seis anos.



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