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CGU encontra 2,7 mil vínculos entre parlamentares e ONGs que receberam emendas; mais de 5 mil assessores também têm ligação com entidades beneficiadas

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Fachada do Edifício Darcy Ribeiro, sede da Controladoria-Geral da União em Brasília, com o logotipo CGU no alto e um painel com a frase Dinheiro público é da sua conta

Sede da Controladoria-Geral da União, em Brasília. Foto: Ascom/CGU (CC BY-SA 4.0), via Wikimedia Commons

Uma auditoria da Controladoria-Geral da União (CGU) identificou 2,7 mil vínculos entre deputados e senadores e organizações sem fins lucrativos que receberam dinheiro federal por meio de emendas parlamentares. O levantamento também achou ligações de mais de 5 mil assessores de gabinete com entidades beneficiadas.

O trabalho foi feito por determinação do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator das ações sobre transparência das emendas. A CGU examinou convênios e parcerias da União com entidades do terceiro setor ligados a mais de 15 mil emendas, de 2020 a 2025.

Parentes, sócios e funcionários

Para chegar aos números, a CGU cruzou bases de dados do governo. Os vínculos podem ser diretos ou passar por até quatro intermediários e incluem parentesco, emprego, participação em sociedade e outras conexões cadastrais. Dos cerca de 13 mil assessores parlamentares analisados, mais de 5 mil tinham alguma relação com ao menos uma entidade que recebeu emenda.

O relatório não detalha os casos um a um e deixa claro que a existência do vínculo, sozinha, não prova desvio, favorecimento ou crime. A CGU aponta a possibilidade de aprofundar a análise para descobrir em quais situações relações pessoais ou profissionais podem ter influenciado a escolha da entidade que recebeu o dinheiro.

Casos já revelados

Reportagens anteriores já tinham mostrado casos desse tipo, citados na cobertura da auditoria. A deputada Célia Xakriabá (PSOL-MG) indicou emenda para uma associação comandada pela madrasta de seu chefe de gabinete. O deputado licenciado Alex Santana (Republicanos-BA) destinou R$ 1,9 milhão a uma associação ligada ao cunhado e a uma ex-assessora. E o deputado Gilvan da Federal (PL-ES) mandou recursos para duas ONGs presididas por parentes de assessores do gabinete.

As emendas parlamentares somam dezenas de bilhões de reais por ano no Orçamento federal e estão no centro de uma disputa entre o Congresso e o STF desde que Dino passou a exigir rastreabilidade de cada repasse. O Diário de Jataí não localizou manifestação dos parlamentares citados sobre a auditoria.

Fonte: Pauta Diária.

AssuntosCGUEmendas parlamentaresFlávio DinoONGSSTFTransparência

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