Gastos com juros chegaram a 8,99% do PIB em 12 meses. Foto: José Cruz/Agência Brasil
A dívida bruta do governo brasileiro ficou em 82,9% do Produto Interno Bruto (PIB) em setembro, o equivalente a R$ 11,1 trilhões. O número, divulgado pelo Banco Central nesta quinta-feira (29), ficou estável em relação a agosto, mas segue no patamar mais alto desde 2021, quando o país ainda sentia os efeitos da pandemia. Só neste ano, o indicador subiu 4,3 pontos percentuais. No fim de 2022, antes do atual governo, estava em 71,7%: são mais de 11 pontos a mais desde então.
A conta de juros explica boa parte do avanço. O setor público gastou R$ 107,5 bilhões com juros em setembro, contra R$ 84,7 bilhões no mesmo mês de 2025. Em 12 meses, a despesa alcançou R$ 1,205 trilhão, ou 8,99% do PIB, ante R$ 984,8 bilhões um ano antes. Segundo o BC, pesaram o resultado menos favorável das operações de swap cambial, o crescimento do estoque da dívida e a inflação.
Melhora no mês, piora no ano
Há um dado positivo: o déficit primário do setor público consolidado, que soma União, estados, municípios e estatais, foi de R$ 5,5 bilhões em setembro, bem abaixo dos R$ 17,5 bilhões de um ano antes. O governo central teve superávit de R$ 3,5 bilhões pela conta do BC, enquanto estados e municípios ficaram no vermelho em R$ 5,6 bilhões, e as estatais, em R$ 3,4 bilhões.
No acumulado de janeiro a setembro, porém, o déficit primário soma R$ 94,3 bilhões (0,93% do PIB), acima dos R$ 79,2 bilhões (0,84%) do mesmo período de 2025. Incluídos os juros, o déficit nominal em 12 meses chega a R$ 1,275 trilhão, 9,51% do PIB.
Dívida federal encosta em R$ 9,4 trilhões
Também nesta quinta, o Tesouro Nacional informou que a Dívida Pública Federal subiu 0,97% em setembro, de R$ 9,293 trilhões para R$ 9,383 trilhões. O governo emitiu só R$ 3,78 bilhões a mais do que resgatou, volume baixo, mas a incorporação de R$ 89,29 bilhões em juros empurrou o estoque para cima. A taxa Selic está em 13,75% ao ano.
O Tesouro lembra que o número está abaixo do previsto: o Plano Anual de Financiamento projeta que a dívida federal termine 2026 entre R$ 9,7 trilhões e R$ 10,3 trilhões. O colchão de reserva subiu para R$ 1,273 trilhão, suficiente para cobrir 7,71 meses de vencimentos.
Fonte: Agência Brasil e Agência Brasil.



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