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Fim das bets: apostador tem até 5 de outubro para sacar o saldo; veja o calendário

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Faixa com os dizeres Publicidade de bet removida em muro no centro do Rio de Janeiro

Faixa no lugar de propaganda de bet removida no Rio de Janeiro, em julho. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil (arquivo)

As casas de apostas on-line, as bets, estão proibidas no Brasil. A Medida Provisória nº 1.394, assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na sexta-feira (25), veta a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade das apostas de quota fixa, tanto esportivas quanto de jogos on-line, e cancela também as autorizações dadas por estados e pelo Distrito Federal. As loterias previstas em lei continuam valendo.

Desde a publicação da MP, as plataformas não podem receber novos depósitos. Quem tem dinheiro parado nelas precisa ficar atento às datas.

O calendário

  • Até 23h59 de 5 de outubro: prazo para o apostador pedir, por conta própria, a retirada do saldo;
  • 6 de outubro: sites e aplicativos de apostas têm de sair do ar;
  • 7 e 8 de outubro: as empresas informam aos bancos os saldos que sobraram, separados por CPF;
  • 9 a 14 de outubro: as instituições financeiras devolvem o dinheiro aos apostadores;
  • A partir de 14 de outubro: se houver impedimento, os valores vão para a Caixa Econômica Federal, que fará o pagamento.

Anúncios e patrocínios também têm de ser retirados até 5 de outubro, inclusive no exterior. As empresas não terão indenização por lucros cessantes, investimentos ou pela outorga paga: foram 85 autorizações de R$ 30 milhões cada, R$ 2,55 bilhões no total. Quem descumprir a MP pode ser multado em até R$ 2 bilhões e ter as atividades suspensas. O governo também vai enviar ao Congresso um projeto que prevê de 4 a 6 anos de prisão para quem explorar esse tipo de aposta.

Por que o governo decidiu proibir

O Planalto trata o tema como questão de saúde pública. Os atendimentos no SUS ligados a jogo patológico cresceram cerca de 140% entre 2018 e 2025. Um estudo do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS) estima o custo social do jogo em R$ 38,8 bilhões por ano, quase 79% dele ligado à saúde.

As perdas das famílias também pesam. Segundo o Comitê Nacional de Secretários de Fazenda (Comsefaz), os brasileiros perderam R$ 62,5 bilhões para as bets em 2025, considerando a diferença entre o que foi apostado e o que voltou em prêmios. Um levantamento feito para a Frente Parlamentar Mista da Educação apontou que um em cada cinco alunos dos anos finais do ensino fundamental e do ensino médio já apostou on-line.

Um dos relatos ouvidos pela Agência Brasil vem do interior de Goiás. Um homem de 42 anos, identificado pelo nome fictício de Kaio, contou que perdeu carro, casa e emprego em seis anos de apostas e hoje faz tratamento em um Centro de Atenção Psicossocial (Caps). Ele descreveu a notícia da proibição como “um grande alívio”.

Onde buscar ajuda

O Ministério da Saúde anunciou que fará busca ativa de apostadores, a partir de dados compartilhados por outros órgãos federais, para oferecer tratamento. Quem enfrenta problemas com apostas pode procurar a unidade básica de saúde ou o Caps mais próximo. A plataforma gov.br/autoexclusaoapostas continua disponível para quem quer bloquear o próprio acesso. Em caso de sofrimento emocional, o Centro de Valorização da Vida (CVV) atende gratuitamente pelo telefone 188, 24 horas por dia.

A MP já está valendo, mas precisa ser votada pelo Congresso em até 120 dias.

Fonte: O Cerradão e Agência Brasil

AssuntosBrasilSaúde

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