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Fim do terceiro mandato de Lula: CNI corta previsão do PIB para 1,6%, vê inflação acima do teto da meta e dívida pública saltando para 83,7% do PIB

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Fachada do Bloco P da Esplanada dos Ministérios, com o letreiro Ministério da Fazenda em letras douradas

Prédio do Ministério da Fazenda, em Brasília. Foto: Pedro França/Agência Senado/CC BY 2.0, via Wikimedia Commons

O último ano do terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve terminar com a economia mais fraca, a inflação estourando o teto da meta e a dívida pública em alta. É o que mostra o Informe Conjuntural do terceiro trimestre da Confederação Nacional da Indústria (CNI), divulgado na quarta-feira (28), três dias depois da reeleição do presidente. A entidade reduziu de 2% para 1,6% a projeção de crescimento do PIB em 2026.

Indústria encolhe

O corte mais forte foi na indústria de transformação, que antes devia crescer 0,6% e agora deve encolher 0,7%. A indústria como um todo passou de 2% para 1,3%, e os serviços, de 1,9% para 1,6%. Segundo a CNI, os juros elevados, a demanda interna mais fraca, o crédito caro, o aumento dos custos de produção e a concorrência dos importados pressionam a atividade. A exceção é a agropecuária, cuja previsão subiu de 1,8% para 2,5%, puxada pela segunda safra de milho.

Inflação acima do teto

A projeção da CNI para o IPCA de 2026 é de 5,15%, acima dos 4,26% registrados em 2025 e acima do teto de 4,5% do sistema de metas, cujo centro é 3%. Mesmo assim, a entidade espera que o Banco Central reduza a Selic em 0,25 ponto em cada uma das duas reuniões restantes do ano, encerrando 2026 em 13,25%, patamar que mantém o Brasil entre os países com os juros reais mais altos do mundo.

Rombo e dívida

Nas contas públicas, a CNI projeta déficit primário de R$ 54,6 bilhões no governo federal em 2026, 0,4% do PIB. O resultado só vira superávit, de R$ 12,6 bilhões, quando se aplicam as regras que permitem excluir determinadas despesas do cálculo da meta fiscal. A dívida pública bruta deve subir de 78,6% para 83,7% do PIB até dezembro, alta de mais de cinco pontos em um único ano.

Os números chegam no momento em que a oposição acusa o Planalto de ter adiado medidas de ajuste fiscal durante a campanha. Nesta semana, o governo anunciou que vai editar a medida provisória do Imposto Seletivo e disse que buscará cumprir a meta fiscal com diálogo. A Agência Brasil não registrou resposta do governo ao informe da CNI.

Há números positivos no relatório: o desemprego deve cair de 5,3% para 5% até o fim do ano, a massa de rendimentos reais deve crescer 4,6% e a balança comercial deve ter superávit de US$ 77,3 bilhões, quase 30% acima de 2025.

Fonte: Agência Brasil

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