O documento observa que a disparidade é especialmente acentuada entre as crianças que tinham entre 5 e 7 anos em 2020, período de interrupção educacional por causa da pandemia | Foto: Reprodução/Agência Brasil
Quase 30 milhões de pessoas não tiveram acesso a direitos básicos em 2023
Mais da metade da população brasileira de 0 a 17 anos vive na pobreza. De acordo com um estudo da Unicef, divulgado nesta quinta-feira, 16, quase 30 milhões de crianças e adolescentes (55% do total) viveram sem direitos básicos em 2023.
O relatório examina a pobreza sob várias perspectivas, levando em conta não apenas a renda das famílias, mas também o acesso a direitos essenciais, como educação, água, saneamento e segurança alimentar.
Elaborado com base em dados do Pnad Contínua, o estudo constatou uma redução notável na pobreza multidimensional entre crianças e adolescentes desde 2017, quando a primeira análise ocorreu. Nesse período, 62,5% da população infantil e adolescente enfrentava alguma forma de privação.

Além disso, a Unicef observou uma queda no número de crianças que vivem na pobreza extrema, que passou de 13,8 milhões (24%) para 9,8 milhões (19%) no período analisado.
A redução na pobreza teve como fator determinante a melhoria no acesso à renda, alcançada por meio de políticas públicas. Em 2017, 25,4% das crianças viviam com menos de R$ 355 mensais por pessoa, e esse número caiu para 19,1% em 2023.
Contudo, apesar dos avanços em termos de renda, o relatório também identificou um retrocesso no acesso a direitos essenciais, especialmente em áreas como educação e proteção contra o trabalho infantil.
Além da pobreza: a pandemia devastou a educação brasileira
No campo da educação, o estudo considerou as crianças que estavam privadas do acesso escolar na idade adequada e da alfabetização. O impacto da pandemia da covid-19 no sistema educacional brasileiro foi evidente, com aumento das taxas de crianças não alfabetizadas. Em 2023, 30% das crianças de 8 anos não estavam alfabetizadas, enquanto em 2019 esse índice era de 14%.

O documento observa que a disparidade é especialmente acentuada entre as crianças que tinham entre 5 e 7 anos em 2020, período de interrupção educacional por causa da pandemia. Essas crianças sofreram danos duradouros em sua aprendizagem. O fechamento prolongado das escolas também contribuiu para o aumento do atraso escolar, que, entre as crianças de 9 anos, passou de 2%, em 2019, para 4,5%, em 2023.
Outro aspecto destacado no relatório são as desigualdades regionais. No campo, 95,3% das crianças enfrentam privações, enquanto na zona urbana esse índice é de 48,5%. Isso reflete as dificuldades que as crianças em áreas rurais ainda enfrentam, especialmente em relação ao acesso a serviços básicos, como educação e infraestrutura. Na zona rural, 91,8% das crianças não têm acesso a saneamento básico, e 21,2% não têm acesso à água. Na zona urbana, esses números são de 28% e 2,5%, respectivamente.

Fonte: Revista Oeste



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