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Promessas de campanha de Lula criam conta de R$ 40 bilhões sem previsão no Orçamento, alerta órgão do Senado; IFI fala em ajuste de 3 pontos do PIB, e governo cita remanejamento

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Palácio do Planalto, em Brasília, à noite, iluminado e refletido no espelho d'água

Palácio do Planalto, em Brasília. Foto: Annemariebr (domínio público), via Wikimedia Commons

Em apenas três medidas anunciadas na campanha, a Instituição Fiscal Independente calcula uma conta de R$ 40 bilhões que não está nos Orçamentos de 2026 e 2027. A conta não inclui outras duas promessas do presidente reeleito.

A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já tem preço calculado por um órgão do próprio Congresso. O Relatório de Acompanhamento Fiscal de outubro, divulgado nesta quinta-feira (29) pela Instituição Fiscal Independente (IFI), vinculada ao Senado, estima em R$ 40 bilhões o impacto de três compromissos assumidos pelo petista na campanha, sem previsão nos Orçamentos de 2026 e 2027.

As três frentes são o reajuste do Bolsa Família, a perda de arrecadação com o fim das apostas de quota fixa, as chamadas bets, e o pacote de benefícios para os microempreendedores individuais (MEIs). A conta ficaria maior com outras duas promessas, que a IFI deixou de fora: a extensão do Pé-de-Meia ao ensino superior e a gratuidade do transporte coletivo nos fins de semana, que dependeria de mudança na Constituição.

Déficit pode dobrar, e a dívida não para

Pelas projeções da instituição, o governo federal fecha 2026 com déficit primário de 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB). Com os novos compromissos, o resultado negativo pode chegar a 1% do PIB em 2027. Para impedir que a dívida continue crescendo em relação à economia, seria preciso o caminho inverso: um superávit de cerca de 2,1% do PIB. Daí a estimativa de um ajuste na casa de três pontos percentuais do PIB, a ser feito com aumento de receita, corte de despesa ou os dois.

Os diretores da IFI, Marcus Pestana e Alexandre Andrade, descrevem o quadro como uma combinação de desequilíbrio fiscal, pressão inflacionária, juros altos e baixo crescimento, e cobram prioridade máxima: “Romper esse nó górdio deve ser a tarefa número um”, afirmam. Sem ajuste consistente, dizem, não haverá retomada relevante de investimentos nem dinheiro para financiar políticas públicas.

Mercado à espera do ministro

O relatório também atribui às dúvidas sobre a condução da economia parte da instabilidade vista entre investidores depois da eleição. Para a IFI, Lula deveria apresentar logo as diretrizes do quarto mandato e dizer quem comandará o Ministério da Fazenda a partir de janeiro de 2027.

O que diz o governo

O Ministério do Planejamento e Orçamento informou, segundo reportagem publicada por O Tempo, que pretende remanejar R$ 20 bilhões no Orçamento de 2027 e cobrir o restante com a revisão para baixo de despesas obrigatórias no projeto em tramitação. A pasta não divulgou o impacto total das medidas e disse que o efeito em 2026 será residual. A mudança ainda será enviada ao Congresso, depois da designação do relator.

Com informações de: Jornal Opção e O Tempo.

AssuntosContas PúblicasGoverno LulaIFIOrçamento 2027Senado Federal

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