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Arroba do boi bate recorde e chega a R$ 376,10; em Goiânia, preço sobe R$ 10 e pecuarista segura o gado à espera de mais

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Rebanho de gado Nelore branco em pasto verde, com palmeiras e uma chapada ao fundo

Gado Nelore em pastagem em Campos Belos, no Nordeste goiano (imagem de arquivo, 2014). Foto: Carlos Ebert (CC BY 2.0), via Wikimedia Commons

Indicador do Cepea subiu 6,7% em três semanas, com oferta curta de animais e frigoríficos comprando para o feriado. Jataí chega a esse momento com rebanho 19% menor, segundo o IBGE.

O boi gordo nunca valeu tanto em reais. O Indicador do Boi Gordo Cepea/Esalq, referência para o mercado paulista e para os contratos futuros, fechou a quarta-feira (7) em R$ 376,10 por arroba, o maior valor nominal da série, isto é, sem descontar a inflação. Foi pelo menos a 15ª alta diária seguida. Em 17 de setembro, a arroba estava em R$ 352,55: a valorização em três semanas é de 6,7%.

A escalada em outubro

DataR$ por arrobaVariação no dia
30/09364,30+0,34%
01/10366,50+0,60%
02/10369,90+0,93%
05/10372,95+0,82%
06/10373,25+0,08%
07/10376,10+0,76%

Por que está subindo

Segundo os pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, o motivo principal é a oferta restrita de animais prontos para o abate. Com a expectativa de preços ainda maiores, parte dos pecuaristas saiu do mercado e passou a segurar o gado, o que dificulta aos frigoríficos fechar as escalas de abate. Para completar a programação, indústrias de algumas regiões pagaram até R$ 10 a mais por arroba.

Há também um fator de calendário: os frigoríficos reforçaram as compras de olho no consumo de carne no feriado de Nossa Senhora Aparecida, na segunda-feira (12).

Em Goiás

Em Goiânia, as cotações avançaram cerca de R$ 10 e os negócios saíram entre R$ 340 e R$ 355 por arroba, com mais liquidez inclusive para lotes grandes. As escalas de abate ficaram entre três e nove dias e, mesmo mais longas, a oferta continuou reduzida. Em Cuiabá (MT), os preços foram de R$ 330 a R$ 345; em Dourados (MS), de R$ 355 a R$ 365.

O que muda para o produtor do Sudoeste goiano

A alta encontra a região com menos boi no pasto. Jataí fechou 2025 com 252 mil cabeças de bovinos, 18,7% a menos do que as 310 mil de 2024, segundo a Pesquisa da Pecuária Municipal, do IBGE. Em Goiás, o rebanho recuou 3,2%, para 22,5 milhões de cabeças. Menos animais é parte da explicação para o preço: quem reduziu o plantel nos anos de arroba baixa agora tem menos para vender.

  • Quem tem boi terminado negocia em posição de força, mas segurar o lote tem custo, sobretudo no confinamento, e o mercado da carne no atacado já mostra dificuldade de repassar preços em algumas praças, segundo o Cepea;
  • Quem faz recria e engorda deve fazer a conta da reposição: bezerro e boi magro tendem a acompanhar a arroba;
  • Para o consumidor, a pressão chega ao açougue nas próximas semanas.

Na segunda-feira (5), o indicador estava em R$ 372,95, como o Diário de Jataí mostrou.

Fontes: Cepea/Esalq-USP, Indicador do Boi Gordo, e IBGE, Pesquisa da Pecuária Municipal (Sidra, tabela 3939). Com informações de: Canal Rural.

AssuntosAGROBoi gordoCepeaGoiásJataíPecuária

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