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Nobel de Física vai para belga que transformou o gelo da Antártida em telescópio de “partículas-fantasma”

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Prédio azul elevado sobre pilares, ladeado por duas torres cilíndricas metálicas, em meio à planície de neve do Polo Sul

Laboratório do Observatório de Neutrinos IceCube, no Polo Sul, em 2023. Foto: Christopher Michel (CC BY-SA 4.0), via Wikimedia Commons

Francis Halzen, de 82 anos, idealizou o observatório IceCube, que detecta neutrinos vindos de fora da galáxia. “Não estava esperando”, disse.

O Prêmio Nobel de Física de 2026 foi concedido nesta terça-feira (6) ao físico belga Francis Halzen, professor da Universidade de Wisconsin, nos Estados Unidos. A Academia Real Sueca de Ciências, em Estocolmo, o distinguiu “pelas suas contribuições decisivas para o observatório de neutrinos IceCube e para a descoberta de neutrinos de alta energia de origem astrofísica”.

“É uma grande surpresa, não estava esperando”, reagiu o cientista, de 82 anos, ao ser contatado pela Fundação Nobel.

O que são os neutrinos

Neutrinos são partículas subatômicas quase sem massa e sem carga elétrica. São chamados de “partículas-fantasma” porque atravessam a matéria, inclusive o corpo humano e o planeta inteiro, praticamente sem deixar rastro: só em casos raríssimos interagem com outras partículas. Por isso mesmo, são mensageiros valiosos. Como viajam em linha reta pelo espaço sem ser desviados nem absorvidos, carregam informação direta dos lugares onde nasceram, como explosões de estrelas e os arredores de buracos negros.

O desafio é capturá-los. Na década de 1980, segundo o comitê do Nobel, Halzen percebeu que o gelo da Antártida, transparente e disponível em volume gigantesco, poderia servir de detector para registrar uma quantidade suficiente dessas partículas.

Um cubo de gelo no Polo Sul

A ideia resultou no IceCube, instalado no coração da Antártida. “Este Prêmio Nobel diz respeito a um gigantesco cubo de gelo situado no Polo Sul do nosso planeta”, resumiu Eva Olsson, integrante do comitê. “Os neutrinos trazem informação do cosmos. Eles abrem a porta para galáxias distantes e nos contam sobre os processos de explosão das estrelas.”

As interações registradas pelo observatório permitem investigar como partículas de energia tão alta são produzidas e podem revelar fenômenos cósmicos ainda desconhecidos. Em comunicado, o presidente do comitê de Física afirmou que Halzen “liderou uma equipe internacional de investigadores e engenheiros que nos proporcionou um instrumento fantástico”.

O reconhecimento não é de hoje. Em 2014, a revista norte-americana Smithsonian apelidou o físico de “Homem do Neutrino” ao premiá-lo por uma experiência que, segundo a publicação, anunciava “o início de uma nova era na astronomia”.

A semana do Nobel

O prêmio de Física é o segundo anunciado neste ano. Na segunda-feira (5), o de Medicina foi para o norte-americano Karl Deisseroth e os alemães Peter Hegemann e Georg Nagel, pelas pesquisas sobre canais iônicos sensíveis à luz e a optogenética, técnica que permite controlar a atividade de células do cérebro com luz.

O Nobel de Física paga 12 milhões de coroas suecas, cerca de US$ 1,2 milhão. Criados pelo inventor sueco Alfred Nobel, cuja fortuna veio em parte da invenção da dinamite, os prêmios são entregues desde 1901.

Fonte: Agência Brasil.

AssuntosAntártidaCiênciaFísicaPrêmio Nobel

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