Militares dos EUA e do Panamá em curso de operações na selva, no Panamá (foto de arquivo). Foto: Sgt. Nirak Manuel Garcia Navarro/Exército dos EUA (domínio público), via Wikimedia Commons
O governo de Donald Trump começou a deslocar centenas de soldados americanos para a América Latina, numa ampliação da ofensiva militar dos Estados Unidos contra o tráfico de drogas na região. Segundo o jornal The New York Times, cerca de 600 militares seguem primeiro para o Panamá e depois participam de exercícios com forças locais na Colômbia e em Honduras.
A informação foi publicada na quinta-feira (15), com base em relatos de autoridades militares que pediram anonimato. Os primeiros soldados já chegaram a um centro de treinamento no Panamá. Parte do grupo seguirá para a Colômbia, onde os exercícios devem começar ainda em outubro, e outra parte irá a Honduras.
Apoio a operações especiais
Além dos treinamentos, parte do contingente poderá apoiar equipes de operações especiais americanas que assessoram exércitos locais em ações contra suspeitos de tráfico. O jornal afirma que os deslocamentos são temporários, mas podem abrir caminho para uma presença militar mais duradoura dos EUA na região.
O envio acompanha outras medidas recentes. Segundo o Times, o Pentágono transferiu drones MQ-9 Reaper da África para a Colômbia e o Equador, e o secretário de Defesa, Pete Hegseth, criou um departamento para supervisionar as operações contra grupos criminosos. A estratégia admite ampliar os ataques, hoje concentrados em barcos suspeitos de levar drogas, para alvos em terra.
239 mortos em ataques a barcos
Em cerca de um ano, o Comando Sul dos Estados Unidos fez 71 ataques contra embarcações no Caribe e no Pacífico Oriental, com pelo menos 239 mortos. Os militares dizem que as vítimas tinham ligação com o narcotráfico, mas não apresentaram provas públicas disso. Especialistas ouvidos pelo jornal avaliam que matar integrantes das quadrilhas tem pouco efeito sobre o funcionamento do tráfico, e entidades de direitos humanos alertam para o risco de mortes de civis se as ações chegarem a terra firme.
Procurado pelo Times, o Pentágono não comentou diretamente o envio das tropas. Em nota, disse estar comprometido com a cooperação com países aliados para combater ameaças na região.
Com informações de: Jornal Opção, com base em reportagem do The New York Times.



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