Esplanada dos Ministérios, em Brasília. Foto: Ana Volpe/Agência Senado (CC BY 2.0), via Wikimedia Commons
A empresária e lobista Roberta Luchsinger, investigada pela Polícia Federal por suspeita de tráfico de influência no governo federal, afirmou ter provas de que Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), se reunia com frequência com ministros, e disse que pretende fazer acordo de delação premiada. As declarações repercutiram entre políticos de oposição em Goiás. A Presidência da República nega que Lula tenha qualquer relação com ela, e a defesa de Lulinha nega irregularidades.
Em entrevista à CNN Brasil no sábado (17), Roberta disse que não vai “poupar ninguém” se a colaboração for fechada, “pode ser o presidente da República”. Segundo ela, Lulinha “inúmeras vezes” esteve com ministros e chegou a viajar à casa do ministro da Educação, Camilo Santana, no Ceará. Ela também chamou Lula de “mentiroso” por afirmar, em entrevistas, que o filho nunca se sentou com ministros. Lula havia se referido a ela como “pilantra” em um podcast e a comparou ao banqueiro Daniel Vorcaro.
Depois do debate de domingo (18) na TV Band, em que Lula voltou a chamá-la de mentirosa e corrupta, a lobista reagiu em vídeo nas redes sociais. “Tudo que eu falei, eu falei porque estou munida de provas”, afirmou. Ela disse responder a três inquéritos da PF, ter sido alvo de busca e apreensão e estar colaborando com a Justiça, e que não apresentou mais informações por estar submetida a medidas cautelares. Disse ainda temer pela própria vida e pela segurança das filhas.
O que se investiga
Roberta e Lulinha são investigados por suspeita de tráfico de influência. As apurações ganharam força a partir da Operação Sem Desconto, da PF, que investiga fraudes bilionárias em descontos de aposentadorias e pensões do INSS. A empresária já teve bens bloqueados e passou a usar tornozeleira eletrônica. Lulinha teve os sigilos bancário, fiscal e telemático quebrados com autorização do Supremo Tribunal Federal (STF), mas não foi indiciado na Operação Sem Desconto. Até agora não há confirmação de que algum acordo de delação tenha sido firmado.
Repercussão em Goiás
Ao Jornal Opção, o deputado federal eleito Major Vitor Hugo (PL) classificou as acusações como “gravíssimas”. “Elas não só desmentem falas do atual presidente, como também demonstram um medo real da delatora de ser morta em função do que sabe”, declarou. Ele também criticou o tratamento dado por Lula à empresária: “O País não pode ter um líder que trata assim as mulheres. A resposta do povo virá pela urna”.
O vereador Oséias Varão afirmou que a entrevista põe em dúvida a versão de Lula de que não conhecia a lobista. “Ali ficou bem evidente que o Lula está mentindo para alguém quando diz que não o conhecia”, disse. Na avaliação dele, as falas indicam que Lulinha atuaria como articulador de negócios entre a empresária e o governo. Segundo o jornal, lideranças do PT em Goiás foram procuradas e não responderam.
O que dizem Lula e a defesa de Lulinha
Em nota, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência afirmou que Lula “desconhece inteiramente os fatos relatados”, que “jamais manteve qualquer interlocução” com Roberta, nunca recebeu demandas dela e que não existe contrato do governo federal com a empresária. A nota também questionou o momento das declarações, às vésperas do segundo turno, e falou em “tentativa irresponsável de tumultuar o processo democrático”. Os ministérios da Educação e das Comunicações negaram tratativas com ela ou com Lulinha fora dos canais institucionais.
A defesa de Fábio Luís afirma que ele não cometeu nenhuma irregularidade, que abriu seus dados bancários, fiscais e telemáticos à Justiça e que sua relação com políticos, inclusive ministros, é pessoal e vem “desde a infância”. Os advogados dizem que as declarações da lobista são incompatíveis com o depoimento que ela deu às autoridades e que as investigações têm sinais de “manipulação, direcionamento e pescaria probatória”.
Com informações de: Jornal Opção e Jornal Opção



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