Entrada da sede da Meta, dona do Facebook, do Instagram e do WhatsApp, em Menlo Park, na Califórnia. Foto: LPS.1 (CC0, domínio público), via Wikimedia Commons
Partido diz que conta foi restringida “sem explicação” a duas semanas do segundo turno. Ao TSE, a dona do Instagram afirmou que seus sistemas “não operam segundo critérios ideológicos” e que as publicações de Lula tiveram alcance acima do normal no dia da pane.
O diretório do PT em Goiás afirmou na segunda-feira (12) que a Meta, empresa dona do Facebook, do Instagram e do WhatsApp, restringiu a conta do partido nas redes. A presidente estadual da legenda, deputada federal Adriana Accorsi, divulgou nota de repúdio e disse que o partido acionou a Justiça Eleitoral para reverter a medida. Entre apoiadores do presidente Lula, o episódio passou a ser chamado de “boicote”.
“Em pleno período eleitoral, restringir sem explicação o canal oficial de comunicação de um partido político prejudica o direito do eleitorado à informação e o livre debate democrático”, afirmou Accorsi na nota, segundo o portal Mais Goiás. Ela cobrou das plataformas “transparência e critérios claros, aplicados igualmente a todos”. De acordo com o portal, o PT da Paraíba relatou problema parecido.
A nota do PT goiano não detalha que tipo de restrição foi aplicada, por quanto tempo, nem apresenta comunicado da plataforma sobre o motivo.
O que a Meta respondeu
No mesmo dia, a Meta entregou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sua manifestação em outro processo, aberto pela campanha de Lula, que acusa a empresa de prejudicar a comunicação do candidato. A companhia reconheceu problemas técnicos, mas rejeitou a tese de favorecimento a Flávio Bolsonaro (PL). “Os sistemas de distribuição de conteúdo da Meta não operam segundo critérios ideológicos”, afirmou, conforme trecho divulgado pela CNN Brasil.
Sobre os contadores de visualização de vídeos que apareceram zerados ou travados, a empresa disse, em declaração técnica citada pelo portal Metrópoles, que houve uma falha entre 15h50 e 20h49 da quarta-feira (7), que atingiu criadores de conteúdo em mais de cem países e não interrompeu a entrega dos vídeos. Sustentou ainda que, naquele dia, as publicações do perfil oficial de Lula foram distribuídas acima do padrão recente da própria conta.
A queixa da campanha
A campanha petista não aceita a explicação. Afirma que os problemas se repetem desde dezembro de 2025, cita a desativação da conta de anúncios durante o primeiro turno e o impedimento de impulsionar publicações em 9 de outubro, e cobra prova de que as falhas também atingiram concorrentes. A coligação diz ter acionado, além do TSE, a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD). A representação menciona ainda uma rede de 255 perfis que, segundo o PT, usaria inteligência artificial para atacar Lula e a primeira-dama, com cerca de 58 milhões de visualizações.
O que o TSE decidiu até agora
No sábado (10), o ministro Marco Aurélio Bellizze deu 48 horas para a Meta se explicar e mandou preservar registros de moderação, dados de anúncios e métricas. Não houve, até aqui, decisão que reconheça favorecimento a qualquer candidato. A empresa pediu mais 48 horas para detalhar as medidas aplicadas aos perfis de Lula. Depois da resposta, a coligação e a Procuradoria-Geral Eleitoral terão 24 horas cada para se manifestar, e só então o pedido de urgência será analisado.
No domingo (11), em decisão separada, o ministro André Mendonça, também do TSE, proibiu a campanha de Lula de contratar novos anúncios pagos no Facebook dizendo que Flávio é contra o fim da escala 6×1.
Com informações de: Mais Goiás (nota do PT de Goiás e resposta da Meta ao TSE).



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