Momento do debate sobre a Secretaria de Meio Ambiente na sessão de 7 de outubro da Câmara de Jataí. Imagem: reprodução/TV Câmara Jataí
Na sessão desta quarta-feira (7), Guilherme Alves falou em “morosidade” e “conversa fiada”. O presidente da Casa, Marcos Patrick, concordou e disse que já precisou chamar a atenção do secretário. Para Lazinho do Asfalto, a pasta “até hoje não decolou” e a cidade está perdendo empreendedores.
A Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Jataí virou alvo de uma sequência de críticas na sessão ordinária da Câmara Municipal desta quarta-feira (7). Em cerca de 15 minutos de debate, vários vereadores, entre eles o presidente da Casa, reclamaram da demora na liberação de licenças ambientais, da falta de resposta a pedidos e da ausência de solução para animais feridos em lagos e parques da cidade. O secretário da pasta, Carlos Alberto Biella, não foi citado pelo nome nem estava na tribuna para responder.
“Não adianta tampar o sol com a peneira”
A fala mais dura foi a do vereador Guilherme Alves. Ele começou cobrando providências para os animais feridos em lagos e parques, tema que, segundo disse, chega ao seu gabinete todos os dias. “Quem é que cuida? Quem é o responsável?”, perguntou. “Eu acho que estamos passando vergonha com uma situação dessa.”
Em seguida, mirou o licenciamento. “O pessoal que trabalha, que precisa e que depende da Secretaria do Meio Ambiente… Esse secretário está travando tudo, gente. A verdade é essa. Não adianta tampar o sol com a peneira aqui”, afirmou. Disse ter em mãos uma grande quantidade de reclamações contra o titular da pasta e resumiu: “Fica nessa morosidade, nessa conversa fiada”.
O vereador lembrou que o mandato está perto de completar dois anos. “Eu estou esperando 90, 120, 160, 200, 600 dias, vai dar dois anos. E não sai do papel. Tem que sair do papel, presidente.”
Guilherme prometeu levar ao plenário os despachos assinados pelo secretário em processos de licença. “Eu pego os despachos e trago aqui na sessão amanhã. O que esse homem despacha num pedido de licença simples?”, disse. Disse ainda conhecer pessoas que levaram pareceres da secretaria ao Ministério Público.
Ao citar o colega Luciano Lima, que já comandou a pasta, buscou apoio: “O vereador Luciano foi secretário do Meio Ambiente. Você sabe o que eu estou falando”.
“Não é de hoje”
O presidente da Câmara, Marcos Patrick, ponderou que a lentidão no licenciamento é um problema antigo. A resposta irritou Guilherme: “Toda vez que vem falar de um trem aqui, vocês falam: não é de hoje. Eu estou falando de agora, o secretário é agora”. E completou: “Vamos parar com essa história de ‘não é de hoje’, gente. Vamos agir hoje”.
Mais adiante, ele justificou o tom. “Às vezes a gente é mal interpretado quando cobra. As pessoas acham que é grosseria, mas não é. É porque a gente fica tão revoltado com essas situações”, disse. “Se nós não discutirmos, nós estamos travando o desenvolvimento de Jataí.”
Presidente: “Eu não passo pano em ninguém”
Marcos Patrick, que ao longo da sessão vinha apresentando as respostas da Prefeitura às cobranças dos colegas, desta vez deu razão às críticas. “Realmente a Secretaria do Meio Ambiente precisa de uma acelerada”, afirmou. Contou que recentemente precisou chamar a atenção do secretário porque, no caso de um empresário de Jataí, a licença federal saiu antes da municipal.
“Morosidade, realmente. Concordo com vocês, porque eu não passo pano em ninguém. O secretário precisa dar mais seriedade e compromisso em algumas licenças, principalmente para acelerar aqui na cidade”, disse o presidente.
Ele apresentou, porém, uma explicação para parte do problema: a falta de pessoal. Segundo Patrick, a secretaria tem hoje apenas dois fiscais em atividade, porque outros estão de licença ou se aposentaram, e a reposição depende de concurso público. Também informou ter cobrado do prefeito que “alguns secretários” precisam “pôr marcha” e disse querer uma reunião específica sobre as licenças.
“Até hoje não decolou”
O vereador Lazinho do Asfalto, integrante da Mesa Diretora, reforçou a cobrança. “A morosidade é muito grande da Secretaria do Meio Ambiente, até hoje não decolou. Vamos dar a César o que é de César: tem que fazer alguma coisa, tem que ter mudança”, declarou.
Para ele, o prejuízo é econômico: “Nós estamos perdendo grandes empreendedores, e as pessoas levam tempo para fazer seus investimentos por causa de uma licença”. Lazinho observou que pequenas empresas acabam submetidas a exigências pensadas para as grandes e defendeu rever normas. “Não é fazer coisas erradas, mas ter agilidade.”
Antes, ao comentar pedidos ligados à causa animal, o vereador Carlone Assis já havia dito que a Câmara precisa “de uma atuação maior da Secretaria do Meio Ambiente”, embora tenha dito acreditar que o secretário tomará providências.
Sem líder do prefeito e com requerimentos sem resposta
O debate expôs outra queixa: a de que a Prefeitura não tem um líder do governo na Câmara para levar as demandas aos secretários e trazer respostas. “Muitas das vezes a gente fica perdido”, disse Carlone Assis, que afirmou haver secretário que não atende determinados vereadores.
Guilherme Alves e Abimael Silva reclamaram que requerimentos aprovados pela Casa ficam sem resposta e que, em um caso, um secretário respondeu oficialmente que o pedido do vereador não era necessário. Eles não disseram de qual secretaria partiu a resposta. “É um desrespeito do mais alto grau a essa Casa”, afirmou Abimael.
O que estava em votação
As críticas surgiram durante a discussão do Requerimento nº 404/2026, de Luciano Lima, que pede às secretarias de Meio Ambiente e de Serviços Urbanos a criação de um “ecoponto verde” para receber restos de poda e jardinagem. Ao defender a proposta, o vereador disse que o local hoje usado para esse descarte, chamado de aterro, “não é aterro, é um lixão”. Segundo o presidente, o secretário de Serviços Urbanos marcou para sexta-feira (9), às 14h, uma reunião com os profissionais do setor.
Secretaria está sem internet
A cobrança dos vereadores ocorre na mesma semana em que a Secretaria de Meio Ambiente comunicou estar sem acesso à internet desde 29 de setembro, com atrasos e limitações no atendimento, como mostrou o Diário de Jataí. O assunto não foi mencionado na sessão.
O outro lado
O secretário Carlos Alberto Biella não participou da sessão, e as falas dos vereadores não tiveram resposta da pasta no plenário. O espaço está aberto para manifestação do secretário e da Prefeitura de Jataí sobre os prazos de licenciamento, o número de fiscais e as críticas feitas na Câmara.
Fonte: Câmara Municipal de Jataí, 1ª sessão ordinária da primeira quinzena de outubro de 2026 (07/10/2026). O debate sobre a Secretaria de Meio Ambiente começa por volta de 2h20 da gravação da TV Câmara.



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